quarta-feira, 19 de julho de 2017

​ Chocolat Bahia: festival espera 60 mil pessoas em Ilhéus


Fotos: Ana Lee.

Evento aberto ao público começa nesta quinta-feira (20) e segue até domingo


A nona edição do Chocolat Bahia - Festival Internacional do Chocolate e Cacau começa nesta quinta-feira (20) no Centro de Convenções de Ilhéus, Sul da Bahia. Com entrada franca, a expectativa de público é de 60 mil pessoas durante os quatro dias de evento, superando os 50 mil registrados no ano passado. No pavilhão de feiras, os visitantes encontrarão estandes de mais de 80 expositores, sendo cerca de 30 marcas de chocolate de origem do Sul da Bahia e Amazônia. O evento também promove cursos de capacitação, debates sobre temas do setor, rodadas de negócios e palestras ministradas por especialistas internacionais.
“Quando se fala em chocolate, estamos sempre buscando, no mundo inteiro, quem melhor podem contribuir para a cadeia produtiva do cacau e chocolate para trazer ao Festival. Este ano, teremos o fundador da maior comunidade virtual de chocolate do mundo, o escritor norte americano Clay Gordon”, revela Marco Lessa,idealizador do projeto e organizador do evento.
Autor do livro Descubra o chocolate: o guia final de compra, degustação e aproveitamento de chocolate fino (em livre tradução), Gordon ministra palestra sobre o passado, presente e futuro do chocolate artesanal no dia 22 (sábado), a partir das 16h, durante o Chocoday.  No mesmo dia, a especialista portuguesa Goretti Silva fala sobre turismo associado ao chocolate. As vagas para as palestras Chocoday são limitadas. Para se inscrever, é preciso acessar o site www.chocolatfestival.com.
A programação do Chocolat Bahia inclui ainda workshops gratuitos de receitas à base de chocolate com renomados chefs do país. Um deles é Lucas Corazza, aclamado confeiteiro e jurado do reality show Que Seja Doce, do canal GNT. Visitas a fazendas produtoras de cacau, exposição de esculturas de chocolate e uma vasta programação cultural também integram o Festival do Chocolate.
Negócios - O Festival é também uma forma de promover Ilhéus como polo chocolateiro e difundir a cadeia produtiva do cacau. “Temos, durante quatro dias, o maior evento profissional dessa área reunindo consumidores, especialistas e produtores, uma oportunidade para discutir a industrialização, a verticalização da produção e, consequentemente, a melhoria da qualidade das amêndoas de cacau selecionado e produto final elaborado”, pontua Lessa.
Grande vitrine para marcas de chocolate de origem, o Chocolat Bahia - Festival Internacional do Chocolate e Cacau reúne os principais produtores de chocolate fino do Brasil. Há três anos, a empresária Cecília Costa lançou, durante o Festival, o seu Amado Cacau. “Sempre trazemos surpresas durante o evento porque achamos importante valorizar a nossa região. O Festival do Chocolate gera negócios para nossa empresa durante e, principalmente, após o evento”, conta. Já a ChOr – Chocolate de Origem, outra marca de Ilhéus, comemora seu quarto aniversário. “A cada ano o Festival nos surpreende com um público sedento por chocolate de qualidade e de origem. Os elogios são vários e é sempre muito bom fortalecer a marca na região e mostrar a todo Brasil nosso chocolate. Este ano, vamos aproveitar o evento para lançar nosso fondue de chocolate 44% cacau ao leite com morango”, adianta a empresária e chocolatier Luana Lessa.
Com o objetivo principal de promover a visibilidade do chocolate de origem e fomentar os negócios da cacauicultura no país, o evento é uma iniciativa do Costa do Cacau Convention Bureau e Associação de Turismo de Ilhéus com o apoio do Governo do Estado da Bahia através das secretarias do Turismo, do Desenvolvimento Rural, de Agricultura, de Ciências Tecnologia e Informação e aporte financeiro do edital de Eventos Calendarizados, Fundo de Cultura da Bahia (Secretarias da Fazenda e da Cultura); assim como a Prefeitura Municipal de Ilhéus, Banco do Nordeste, Sebrae, Caixa Econômica Federal, entre outras instituições e conta com a realização da MVU Eventos.
Chocolate de origem – Assim como no vinho, azeite e café, o lugar de origem do cacau tem características que se revelam no produto final. O chocolate de origem precisa ser feito com frutos da mesma região, cultivados sob rígidas normas de manejo e beneficiamento. A maior parte do chocolate produzido na Bahia é feita com alto teor de cacau, a partir de amêndoas selecionadas e livre de conservantes, sabores sintéticos e aromatizantes.
Colheita, seleção, higienização, fermentação, secagem, análises físico-químicas, microbiológicas e de degustação. Esse é o ciclo cuidadosamente realizado durante cerca de 20 dias para a obtenção de amêndoas de cacau fino nas fazendas do Sul da Bahia. A matéria-prima tem elevado o status da Bahia – e do Brasil – no paladar do mundo quando o assunto é chocolate de qualidade. Prova disso é a crescente demanda pelo mercado especializado, como a alta confeitaria. “Há algum tempo produtores da Bahia estão fazendo um trabalho de qualidade na manutenção da fazenda, na secagem e no tostado, e conseguindo um cacau de boa qualidade”, opina a especialista Chloé Doutre-Roussel.
O mercado das amêndoas selecionadas é um universo relativamente novo para os produtores da região. Fortemente abalada pela praga da vassoura-de-bruxa nos anos 90, a cacauicultura no Sul da Bahia vem se reinventando. O processo começou há alguns anos, depois da visita de produtores locais ao Salon Du Chocolat de Paris e do contato com o método de produção de chocolate chamado bean to bar (da amêndoa à barra, em livre tradução). “Na década de 1990, auge da crise do cacau, não tínhamos chocolate. Nunca tivemos nada que fizesse alguma diferença economicamente ou na imagem da região. Hoje, temos um movimento forte em prol da verticalização da produção do cacau ao chocolate e da melhoria do cacau produzido”, destaca Marco Lessa sobre o grande volume de negócios em torno do chocolate de origem gerado nos últimos anos no Estado. Atualmente, são mais de 40 marcas baianas de chocolate de origem.
Idealizador do evento, Lessa tem se destacado no cenário nacional como responsável pelas mudanças positivas nesse setor. Por essa razão, o empresário figura entre as 100 personalidades mais influentes do agronegócio no País, conforme rankingpublicado pela Istoé Dinheiro Rural, na edição de aniversário da revista no mês de outubro do ano passado.
Ilhéus – A história de Ilhéus, tão narrada nos mundialmente famosos romances de Jorge Amado, se confunde com a história do ciclo do cacau no Brasil, iniciada no século 18. Até a primeira metade do século 20, a cidade, que chegou a ser a primeira exportadora de cacau do mundo, viveu das riquezas colhidas através do cultivo do fruto. Ainda hoje considerada a Capital do Cacau, Ilhéus ocupa o primeiro lugar na produção do fruto em todo o país e conserva o requinte do sabor e da produção do chocolate.
O município é considerado o terceiro maior ponto turístico da Bahia e principal destino da zona turística da Costa do Cacau. Além disso, tem uma rica diversidade natural, gastronômica, histórica e cultural.
Ilhéus possui um aeroporto, um porto e uma vasta infraestrutura hoteleira, com cerca 8 mil leitos disponíveis entre pousadas, hotéis e resorts. Dividida nas zonas Norte e Sul, o litoral a cidade tem mais de 80 quilômetros de extensão de belas praias, com ótimos pontos para a prática de surf, para banhistas e até para a pesca amadora. Um passeio pelas fazendas produtoras de cacau é indispensável a quem visita a região. Muitas propriedades permitem que o turista acompanhe todo o processo de coleta e preparo da semente, incluindo, é claro, um momento de degustação de chocolate.
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