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21/05/2011

Anunciado vencedor do Prêmio Nacional de Fotografia Pierrer Verger 2010/2011



O mineiro Pedro David, com o projeto “O Jardim”, é premiado na quarta edição do certame da FUNCEB/SecultBA.

Foi divulgado o nome do vencedor da quarta edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, um dos dois maiores concursos, em termos financeiros, para trabalhos fotográficos do Brasil.

Pedro David, natural de Santos Dumont (MG), que apresentou o projeto O Jardim, foi o nome indicado pela comissão de seleção, formada por José Carlos Mamede, Leonardo Costa Braga e Sérgio Burgi.

O certame, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), objetiva incentivar, divulgar e valorizar a produção fotográfica brasileira.

A premiação é dada a um conjunto de trabalhos de temática e técnica livres, de um fotógrafo residente no país. Além de condecoração no valor de R$ 30 mil, o selecionado recebe apoio financeiro para a realização de uma exposição individual em Salvador e para a publicação de um catálogo com o ensaio, num investimento total de R$ 60 mil concedidos pela FUNCEB/SecultBA.



Foram inscritas 109 propostas, sendo 37 da Região Metropolitana de Salvador, sete do interior da Bahia e 65 de outros estados, como Amazonas, Mato Grosso, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

A qualidade dos projetos apresentados foi notória a ponto de a comissão de seleção prezar em registrar que “os trabalhos de João Castilho, Guilherme Cunha, Álvaro Villela e Walter Firmo foram igualmente considerados de excelente qualidade, sendo também trabalhos potencialmente merecedores de prêmio”.

O projeto selecionado, O Jardim, procura “entender a expansão da cidade (Belo Horizonte) para fora de seus limites, o embate ente seus habitantes com a natureza e as razões que levam pessoas tão diferentes a procurar os mesmos pedaços de periferia”, segundo o próprio autor.

A comissão de seleção considerou o trabalho de “excelente qualidade estética, transitando e refletindo sobre aspectos relevantes da linguagem fotográfica contemporânea, ao mesmo tempo em que dialoga com vertentes tradicionais da fotografia clássica e moderna”.

Em O Jardim, a fotografia, registrada em chapas de 4x5 polegadas, é tratada de forma a agregar técnica, específica para fotografia em formato grande, hoje pouco explorada no universo digital, à abordagem de questões contemporâneas, como a expansão civilizatória sobre os limites da natureza, a saturação das grandes cidades, a fuga para a periferia e a busca ontológica do homem por autoconhecimento, território e qualidade de vida.

Nascido em 1977, Pedro David é fotógrafo autônomo desde 1997, formado em jornalismo em 2001 pela PUC-Minas e cursou pós-graduação em artes plásticas e contemporaneidade na Escola Guignard – UEMG, em 2007.

Desde 2008, ele mora na região periférica de Belo Horizonte, transitando entre os bairros Vale do Sol e Jardim Canadá, a 20 quilômetros do centro da cidade, e tenta estabelecer com estes bairros uma relação de pertencimento.

Artista promissor, Pedro já havia sido ganhador de outros importantes prêmios: União Latina – Martin Chambi de Fotografia (2010); Porto Seguro Brasil de Fotografia (2005); Prêmio Mostra Competitiva do 32º Festival de Inverno da UFMG; e menção honrosa no Prêmio Annual de Fotografia Urbanística, na Argentina (2000). Publicou, juntamente com os fotógrafos João Castilho e Pedro Motte, o livro Paisagem Submersa (editora Cosac Naify, 2008).

Participa de coleções de arte privadas e públicas, dente elas Noordelicht Photography (Groningrn, Holanda, desde 2009); Museu de Arte de Santa Catarina (desde 2007); Photographer’s Network (Siegen, Alemanha, desde 2007); Coleção Ana Luisa e Mariano Marcondes Ferraz (Rio de Janeiro, desde 2006); Coleção Pirelli – MASP Fotografias (São Paulo, desde 2005); e Museu Histórico Abílio Barreo (Belo Horizonte, desde 1999). O fotógrafo ainda integrou o corpo de conselheiros regionais da Coleção Pirelli – MASP Fotografias para as aquisições da edição 2009.

Em 2008, recebeu, através do 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, uma bolsa de residência artística para desenvolver o projeto Homem de Pedra. Desde 1999, também realizou exposições individuais em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Montevidéu e Paris. Mais informações estão disponíveis no site www.pedrodavid.com.

Criado em 2002, o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger é um concurso bianual. A quarta edição do edital foi realizada com revisões que lhe trouxeram aperfeiçoamentos.

Dentre as novidades, não há mais a obrigatoriedade de a exposição ser feita na Galeria Pierre Verger, pertencente à FUNCEB, podendo o fotógrafo indicar o espaço expositivo de sua preferência, dentro da cidade de Salvador. Já os critérios de avaliação foram modificados, dando maior peso à qualidade artística da proposta.

MEMBROS DA COMISSÃO DE SELEÇÃO

José Carlos Mamede

Professor de Fotografia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), desde 1994. Foi chefe do departamento de Comunicação da UFBA no biênio 2006-2008. Coordenou o Laboratório de Fotografia da Faculdade entre 1998-2001.

Defendeu tese em fotografia no Mestrado de Comunicação e Cultura Contemporâneas, na UFBA, em 1997. É curador de exposições fotográficas e coordenador de cursos de extensão universitária em fotografia.

Leonardo Costa Braga

Brasiliense, vencedor da última edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger (2008/2009), vive atualmente em Caeté, Minas Gerais. De formação autodidata, desenvolve projetos com artes visuais para ampliar os conceitos e formas da inteligência na relação cotidiana do homem consigo mesmo e o ambiente.

Realizou exposições individuais no Centro Cultural Elida Marquizo (Uruguai, 2011); Festival Internacional de Fotografia de Paraty (2010), Palácio Rio Branco (Salvador, 2010) e Centro Municipal de Fotografia de Montevidéu (2010). Ganhador do prêmio da Fundação Bienal de São Paulo, Brasil Arte Contemporânea (2010), Fundação Conrado Wessel, Brasil, Ensaio Selecionado (2009) e Walter Firmo, Brasil (Menção Honrosa, 2001), entre outros.

Sérgio Burgi

Coordena a área de fotografia e a Reserva Técnica Fotográfica do Instituto Moreira Salles (IMS), principal instituição voltada para a guarda e preservação de acervos fotográficos do Brasil. Paulistano, ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1976 e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, em 1978.

Formou-se em Ciências Sociais pela USP em 1981 e ingressou, no mesmo ano, no curso de Mestrado em Conservação Fotográfica da School of Photografic Arts na Sciences, Rochester Institute of Technology, ambos com trabalhos específicos na área de conservação fotográfica.

Foi Coordenador do Centro de Conservação e Preservação Fotográfica da Fundação Nacional da Arte, no Rio de Janeiro, entre 1984 e 1991. É membro do Grupo de Preservação Fotográfica do Comitê de Conservação do Conselho Internacional de Museus (ICOM), desde 1999.

PREMIADOS NAS EDIÇÕES ANTERIORES

Márcio Lima (2003/2004)

Com o tema Gente e Costumes da Bahia, o fotógrafo Márcio Lima, pernambucano radicado em Salvador/Bahia desde 1989, foi o vencedor da primeira edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger.

Começou a fotografar no início dos anos 1980. Trabalhou na sucursal soteropolitana do jornal O Globo e colaborou para revistas da Editora Abril. Atua como fotógrafo independente, principalmente no campo editorial e institucional.

Em 1996, integrou o programa de artista residente Light Work, promovido pela Universidade de Syracuse, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ganhou também o Prêmio Aquisição no 12º Salão da Bahia, do Museu da Arte Moderna da Bahia, em 2004. Realizou diversas mostras coletivas e individuais em Salvador e em outras capitais do país.

Rodrigo Albert (2005/2006)

Mineiro e autodidata, foi assistente do fotógrafo Milton Campos. Recebeu o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2005/2006 com as séries Costumes e Ofícios, Gentes e Lugares e Mitos.

Em 2006, seu ensaio Inserção, sobre a implantação do Método Carcerário da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, foi finalista do World Press Photo Joop Swart Masterclass, organizado pela World Press Foundation (Amsterdã).

Participou de exposições coletivas em diversas cidades e países, em locais como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu do Estado do Pará, o Museu de Arte Moderna e Arte Contemporânea (MAMAC), na Bélgica, e a Mostra Internacional Itinerante Venado Tuerto, na Argentina.

Leonardo Costa Braga (2008/2009)

Composta por duas séries – Homem e Árvore –, num total de 12 fotografias, o trabalho Homogenia, do fotógrafo Leonardo Costa Braga, foi o selecionado do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2008/2009. Leonardo é natural de Brasília e reside na cidade de Caeté, em Minas Gerais.

Artista autodidata, morou em várias regiões do Brasil e do exterior, convivendo com situações de diversas realidades culturais e sociais. Portugal, Eslovênia, Alemanha, Espanha e Uruguai já apreciaram mostras do autor, que, no Brasil, já teve suas obras expostas no Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu Casa de Guignard, Museu de Arte Moderna da Bahia e Centro Cultural São Paulo.

Participou de eventos como o Foto Arte Brasília, FotoRio, Festival Devercidade e Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre. Além do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger 2008/2009, recebeu o Prêmio da Fundação Conrado Wessel 2009; 1º lugar do Festival de Inverno de Bonito 2005; 2º lugar do Prêmio da Cidade de Santa Maria 2003; Menções Honrosas no Prêmio Walter Firmo 2001 e da Universidade Federal de Minas Gerais 1998.

Ainda em 2010, participou do Festival Internacional de Fotografia de Paraty (RJ), realizou uma exposição individual no Centro Municipal de Fotografia de Montevidéu e ganhou o Prêmio Brasil Arte Contemporânea, dado pela 29ª Bienal de São Paulo.

08/02/2011

Workshop | Fotografia Como Arte Contemporânea



24 de fevereiro a 12 de março 2011

O workshop promove um laboratório reflexivo com foco na expressão artística, baseado na fotografia contemporânea internacional.

Serão 12 horas dividias em seis encontros com projeção de imagens, discussão sobre a fotografia artística, análise de portfólio e orientação para desenvolvimento de projeto fotográfico.

INSCRIÇÕES | até 18 de fevereiro de 2011
Instituto Casa da Photographia
Rua Alexandre de Gusmão 50, Rio Vermelho. Salvador, BA
Segunda a sexta 09h30 às 12h e das 13h às 17h
71 3018 3906
contatos@casadaphotographia.art.br
www.casadaphotographia.art.br

Vagas limitadas!

Instituto Casa da Photographia, desde 1997 recomendado por quem mais entende de fotografia na Bahia e no Brasil.

31/01/2011

Workshop | Fotografia Como Arte Contemporânea



24 de fevereiro a 12 de março 2011

O workshop promove um laboratório reflexivo com foco na expressão artística, baseado na fotografia contemporânea internacional.

Serão 12 horas dividias em seis encontros com projeção de imagens, discussão sobre a fotografia artística, análise de portfólio e orientação para desenvolvimento de projeto fotográfico.

INSCRIÇÕES | até 18 de fevereiro de 2011
Instituto Casa da Photographia
Rua Alexandre de Gusmão 50, Rio Vermelho. Salvador, BA
Segunda a sexta 09h30 às 12h e das 13h às 17h
71 3018 3906
contatos@casadaphotographia.art.br
www.casadaphotographia.art.br

25/11/2010

Paixão pela fotografia



A paixão do consultor em marketing Dalmo Santana pela fotografia transformou-se de vez em mais um campo de atuação do profissional. Recentemente, ele finalizou dois ensaios fotográficos inéditos. O primeiro foi um editorial de moda rua com looks By Lenna, grife da empresária Lenna Carvalho, no Shopping Paralela.

De uma linguagem urbana para outra bem mais casual, o fotógrafo passou a registrar as novidades do Atelier do Biquíni, no Shopping Ponto 5, na Pituba, onde as proprietárias Joyce Guimarães e Gabriela WanderLey lançam as tendências de moda praia do alto verão 2011.



Além de atuar há mais de 15 anos como consultor em marketing, Dalmo Santana é especialista em consultoria de imagem e sócio da Addicione Soluções Criativas. Amante da fotografia desde 1980, fez diversos cursos na área até participar, em outubro último, do Estúdio Brasil 2010, o maior congresso de fotografia de estúdio da América Latina, realizado em São Paulo.

Além de fotos conceito, ele tem focado sua paixão pela fotografia nos ramos da moda, gastronomia e still (foto "parada" de produtos, embalagens, itens e outros objetos).

04/10/2010

Delicadeza e sensualidade na Terceira Idade

Um sucesso em um olhar fotográfico de sucesso


Com um projeto capitaneado pela Faculdade da Felicidade sob o olhar atento ao idoso da diretora e gerontóloga, Lucinha Palmeira, as fotógrafas Carla Palmeira, Luzinete Martinez e Sônia Nepomuceno levaram A exposição “Nuances de uma vida plena” ao Shopping Paseo Itaigara na semana passada. O trabalho trouxe de volta a delicadeza da sensualidade madura na Terceira Idade. Fotos bem feitas, com uma criatividade ímpar, o projeto sai do Paseo com sensação de dever cumprido. “Destacar o quê ainda existe na vida e no dia-a-dia dos meus jovens de Terceira Idade, é de extrema importância para mim. Desenvolver ainda mais o quê eles tem de melhor na vida, e que para muitos pode parecer que foi perdido, é o que me importa reacender nestas pessoas”, comenta Lucinha Palmeira.

Homenageando o Dia do Idoso _ comemorado em todo Brasil no último dia 1º de Outubro __, a exposição continua por mais uma semana nas instalações da Faculdade da Felicidade, no bairro da Barra. Felizes com a repercussão do trabalho, as fotógrafas e a Faculdade, prometem uma segunda etapa com o mesmo tema para ano que vem.


Serviço

O que: Nuances de uma vida plena (exposição fotográfica)
Onde: Faculdade da Felicidade – Rua Engenheiro Milton Oliveira, 176 – Barra
Telefone: (71) 3015-4522/ 8132-9539
Quando: 04 a 13/10 (exceto sábado,domingo e feriado)
Horário: 14h as 17h
Valor: Gratuito

01/04/2010

Fotografia de Ivã Coelho


Ivã Coelho: Fotógrafo e advogado pós-graduando em Ciências Criminais. Ganhador, em 2009, do III Salão do Mar (concurso anual promovido pela Marinha) e um dos selecionados no concurso-catálogo-exposição África em Nós (concurso promovido pela prefeitura de São Paulo com curadoria do fotógrafo Walter Firmo).


Como é a sua arte, como você começou a se interessar pela fotografia?

Fotografia é um alumbramento de criança, quando ganhei de um tio caminhoneiro uma pequena máquina Love. Era uma máquina descartável dos anos 80, fazia as fotos com ela e deixava-a para revelar no laboratório a máquina inteira, que não retornava. Teve uma época que tinha uma promoção que o fotógrafo levava a Love, deixava pra revelar e ganhava outra juntamente com as fotos reveladas no papel, então havia um ciclo que só terminava se você quisesse interromper.



Era um brinquedo curioso. Ficava intrigado com o processo de fotografar, não entendia, mas era divertido. Eu mesmo menino era o responsável pela fotos dos feriados com a família na Ilha de Itaparica. Eu só não gostava de aparecer nas fotos. Havia algo de estranho com a minha imagem, eu nunca me reconhecia nela. Desenvolvi quase uma fobia. Não queria aparecer em fotos de jeito algum, mas adorava estar por trás da câmera, operando e desvelando o que via. Essas fotografia espalharam-se pela família e foram perdidas ao longo desses anos.

O tempo passou e na adolescência minha mãe deu-me de presente uma Zenit 122 para que eu fosse ganhar dinheiro, mas eu não conseguia me ver, do alto da minha timidez, fazendo fotos em casamentos e aniversários. Então fiquei só nos estudos técnicos e quando sobrava algum dinheiro da mesada pra comprar filme e revelar eu fotografava. Como outras coisas chamaram mais minha atenção na época dos 18 anos (o rock) eu deixei a máquina de lado, perdida no fundo do guarda roupas. Durante todos os meus 20 e poucos anos a fotografia para mim se resumiu ao trabalho de outros. Comprava revistas, ia a exposições (descobri o trabalho do Robert Mapplethorpe no MAM de São Paulo e fiquei fascinado por seu trabalho) e só.

Com a fotografia digital, há um ano comprei uma câmera digital Nikon e desde então venho reaprendendo a fotografar a cada clique, a cada edição das fotos, em livros de técnica, estudos filosóficos e antropológicos e em todos os papos com outros fotógrafos e na web em fóruns, blogs e no Flickr.




Quais seus projetos? Seus planos pro futuro?

Continuar o aprimoramento na arte fotográfica, dedicando-me mais a trabalhos documentais com pretensões de participar de salões de arte e de estar no movimento de desvelar o mundo através das lentes fotográficas, tentando inserir a fotografia como instrumento de mudança social. É um caminho tortuoso, como relata-me fotógrafos que estão há tempos nele, mas que considero de grande valia e desmesurado contentamento, já que estarei fazendo algo que considero importante. Tudo isso são planos, vontade em potência. Essas imagens ainda estão por se materializar.

Qual a sua relação com a fotografia, e o que você prefere ao tirar suas fotos?

Meu interesse por fotografia tem grande concentração na vertente dos ensaios autorais, gosto da fotografia como forma de expressão no mundo, como forma de expressão pessoal, enquanto meio para mostrar o homem em todas as questões que lhes são caras. Gosto de fotografar gente, seus medos, alegrias, suas vastas emoções e pensamentos imperfeitos. É um pouco do que tento fazer quando escrevo contos e poesias, buscando usar cada palavra como ferramenta de expressão, como construtoras de imagens. Na fotografia a escrita é com a luz, mas o intento é o mesmo.

Você acha que Salvador é uma boa cidade para realizar suas fotografias e por quê?

Salvador é uma cidade privilegiada pela luz e por temas diversos para serem abordados de maneiras também diversas. Claro que há uma tendência forte a buscar imagens nos temas religiosos, na temática da herança afro descendente, na voluptuosidade da força negra, muitos foram os fotógrafos mestres que se dedicaram a estes temas que até hoje toca, encanta e são ricos em possibilidades imagéticas, mas há outros temas igualmente representativos da cultura baiana que podem ainda ser explorados e viabilizados. Fotografia depende muito da criatividade, um fotógrafo de olhar esmerado e grande sensibilidade pode tirar leite de pedra e conseguir imagens de valor de coisas banais para muitos.

O que dificulta o fazer fotográfico em Salvador é a falta de educação visual da população como um todo, da pouca importância que se dá a essa arte ainda. Faltam cursos para aprimoramento, falta espaço para exposições.

Temos uma boa cena de fotografia, com importantes festivais anuais, galeria especializada, cursos esporádicos etc., mas falta difusão disso, falta abertura para que cada vez mais o cenário cresça e atinja relevância nacional e internacional.

Temos excelentes expoentes da fotografia enquanto arte. O trabalho de Mario Cravo Neto, do Voltaire Fraga, do Cristian Cravo, do Marcelo Reis dentre tantos outros são trabalhos importantíssimos que ratificam a existência dessa força criativa dentro da fotografia baiana, mas, mesmo pra eles, falta mais divulgação dentro da cidade, para um público maior, menos elitista. Por isso a difusão é importante, assim como a educação das pessoas, mesmo as menos interessadas em fotografia como expressão artística, documental, histórica. Falta valorizar o já produzido e fomentar a produção contemporânea.

Como é a sua relação com as pessoas que você se inspira ? O q você mais gosta de fazer dentro da sua arte?

As relações são diversas, vai desde a abordagem amistosa ao interpelar desconhecidos na rua, na feira ou nas festas populares até a relações mais íntimas com amigos, amores e outros do meu rol de conhecidos. Então tem desde imagens de pessoas na rua em seus instantes decisivos até a imagens mais intimistas/subjetivas com pessoas com as quais convivo. E o meu desejo é variado, tenho prazer em documentar uma expressão da cultura popular tanto quanto pensar em imagens e criar personas para amigos posarem para mim. Somos múltiplos e, embora a sociedade exija de todos (mesmo dos artistas) uma especialização, creio que ainda é possível transitar em diversas nuances sem perder o viço.



Existe outro lugar em que você se sentiria bem em fazer sua arte?

Com criatividade e empenho é possível fotografar em qualquer lugar. O que acharia interessante é se estivesse numa cidade com mais possibilidades de divulgação, de aprimoramento, de troca, um lugar que vivesse mais a fotografia, das suas abordagens comerciais às artísticas/autorais. Salvador está no caminho para se tornar uma cidade mais movimentada nesse sentido, para o mundo fotográfico. Estar num centro mais movimentado ajuda, incentiva e possibilita uma troca grande, um compartir que auxilia no crescimento, mas hoje temos informação fácil e farta e por aqui tem muita gente empenhada no ato fotográfico, de profissionais a amadores (iniciantes, avançados, entusiastas etc.) e isso dá uma perspectiva mais ampla, um desdobra mais efetivo. É o que os apaixonados pela arte fotográfica querem.

http://www.flickr.com/photos/24038199@N03/


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Por Estéfano Díaz
estefanodiaz@salvadorupdate.com