Importadora não apoia “salva guardas” a favor do vinho nacional.
A Ana Import, seguindo os passos de nomes fortes da (eno)gastronomia nacional – como os chefs Roberta Sudbrack e Claude Troisgros, no Rio de Janeiro, e dos restaurantes D.O.M. e Dalva e Dito, em São Paulo –, decidiu retirar das suas prateleiras todos os vinhos nacionais que representa.
A medida foi tomada em represália à pressão que os grandes produtores de vinho nacionais, principalmente os gaúchos, vêm fazendo sobre o governo brasileiro, solicitando salvaguarda ao vinho nacional, o que acarretaria aumento de impostos sobre o vinho importado, alémde cotas para o sistema de importação de determinados países.
“Em 2011, o setor de vinhos no Brasil cresceu quase três vezes mais do que o PIB nacional. É estranho que, mesmo com esse crescimento, os produtores ainda precisem de "salvaguardas", como se os tributos sobre vinhos importados, que hoje são de 27%, já não representassem proteção suficiente parao nacional”, opina André Pereira,diretor da Ana Import.
A importadora baiana, comandada há seis anos pela empresária Ana Marques, concorda com, entre outras, a postura de um dos mais conceituados sommeliers do país, Manoel Beato, que também tirou os vinhos brasileiros dos dez restaurantes do grupo Fasano. Ele, conhecido por valorizar a produção nacional, acredita que, só desta maneira, os contrários ao aumento dos impostos conseguirão ser ouvidos.
Segundo pesquisas divulgadas na internet, após o início da circulação das notícias referentes às mudanças no setor, de cada 5 garrafas de vinho consumidas no Brasil, sejam eles finos, espumantes e comuns, 77.4% (ou seja, quase 4) já são de vinhos brasileiros, o que tornaria ainda menos embasada a busca dos grandes produtores locais por proteção do governo.
“Não acreditamos que apenas o encarecimento do vinho importado faça o consumidor, automaticamente, substituí-lo pelo nacional. Nosso mercado precisa é de mais profissionalização e qualidade. Só assim os produtores brasileiros conseguirão competir contra os internacionais de frente e todos saem ganhando, inclusive o consumidor”, reforça Ana Marques.
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