
EXPOSIÇÃO ITINERANTE APRESENTA COLEÇÃO DE OBRAS POLÍTICAS ASSINADAS POR FERNANDO BOTERO.
A CAIXA Cultural Salvador apresenta, de 13 de junho a 27 de julho, a exposição “Dores da Colômbia” do pintor Fernando Botero, que retrata o drama da violência na Colômbia. Famoso por desdenhar de estereótipos da sensualidade, pintando gordinhas e gordinhos erotizados, com um traço quase sempre bem humorado, Botero denuncia, nesta exposição, a violência da história colombiana em obras impactantes. A mostra pode ser visitada, de terça-feira a domingo, das 9h às 18h, com acesso livre e gratuito para todos os públicos.
São 67 obras doadas pelo artista ao acervo permanente do Museu Nacional da Colômbia, curador da exposição. Os 36 desenhos, 25 óleos e seis aquarelas, realizados entre 1999 e 2004, registram um testemunho da violência que há anos assola o país, como consequência da ação de grupos guerrilheiros, políticos e paramilitares. “O conjunto dessa obra mostra como a arte pode denunciar a violência e propõe uma reflexão sobre a sociedade”, comenta Denise Carvalho, produtora executiva da Aori, responsável pelo retorno da mostra ao Brasil.
Nas obras satíricas de Fernando Botero, políticos, militares, religiosos, músicos e a realeza são retratados como figuras roliças, corpulentas e estáticas. Sem abandonar o estilo que o tornou famoso, nesta coleção, o artista lança seu olhar sobre episódios como os atentados que afligiram a Colômbia, nos anos 1980 e 1990. Ao contrário da maioria de suas obras, a série não revela o lado humorístico do pintor, mas o que ele chamou de “um testemunho da irracional história colombiana”.
“A Colômbia tem orgulho de expressar seu anseio por liberdade através da arte. ‘Dores da Colômbia’ reflete as dores da humanidade”, comenta a Embaixadora da Colômbia no Brasil, Maria Elvira Pombo Holguin. “Botero se refere à Colômbia para ilustrar suas angústias sobre a própria condição humana. Em nosso país, essas dores foram a base para a construção de uma sociedade justa”, completa.
“Fernando Botero doou, ao Museu Nacional da Colômbia, uma série de obras, nas quais expressa o seu compromisso com o drama e a violência, recorrentes no país”, explica Maria Victoria Robayo, diretora do Museu Nacional da Colômbia. “Longe de pensar em benefícios econômicos, o artista quer que as obras pertençam à nação e sejam um convite à reflexão sobre as trágicas circunstâncias, que temos enfrentado nas últimas décadas”, argumenta.
Embora retrate uma situação trágica de um período bem determinado, Botero criou as composições com pinceladas de cores vibrantes capazes de atrair e envolver cada vez mais pessoas, de todo o mundo, no drama colombiano e de outros países que vivem conflitos sociais.
“Dores da Colômbia” dialoga com uma corrente artística que vincula a arte à política. Dentro desse contexto, encontramos outros mestres importantes, que imprimiram discurso e fatos históricos em suas telas. Francisco Goya, com “Desastres da Guerra” e Pablo Picasso, com “Guernica”, por exemplo, recriam à sua maneira, atos cometidos durante períodos de turbulência vividos em seus países.
FERNANDO BOTERO:
Pintor e escultor colombiano, nascido em Medellín, em 1932, é um dos artistas mais prestigiados da América Latina e tem peças expostas nos mais importantes museus internacionais. Entre as suas obras mais conhecidas estão as releituras bem-humoradas e satíricas de “O Casal Arnolfini”, de Jan van Eyck, e “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci.
Em ambas, figuras humanas e animais são pintados de forma arredondada e estática. Esse padrão estético é a marca registrada do artista que, por intermédio de sua arte, tornou-se o embaixador cultural da Colômbia pelo mundo. Botero é um dos renomados artistas latino americanos ainda vivo e, atualmente, mora na França.
SERVIÇO
“Dores na Colômbia”
Local: CAIXA Cultural Salvador – Rua Carlos Gomes, 57 – Centro – Salvador (BA)
Abertura: 12 de junho de 2012 (terça-feira)
Visitação: de 13 de junho a 27 de julho de 2012
Horário: de terça-feira a domingo, das 9h às 18h
Entrada Gratuita
Telefone: (71) 3421-4200
Classificação: livre
Realização: Aori Produções Culturais
Apoio: Avianca e Associação dos Amigos do Museu Nacional da Colômbia
Patrocínio: Caixa Econômica Federal
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