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08/04/2011

A guitarra de Armandinho se mistura com o afro pop do Cortejo Afro



Depois de proporcionar um grande encontro de guitarras baianas na última quinta-feira (07) Armandinho convida agora um grupo com quem já se encontrou algumas vezes: o Cortejo Afro.

Na próxima quinta-feira (14), às 21h, no Largo Pedro Archanjo, é dia de misturar a percussão afro com a guitarra baiana no projeto Armandinho Convida no Pelô, do edital Tô No Pelô – Apoio à Dinamização Artístico-Cultural do Pelourinho, realizado com recursos do Fundo de Cultura da Bahia, da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-Ba), em parceria com o Programa Pelourinho Cultural do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).

O Cortejo Afro, com 12 anos de estrada e criado pelo artista plástico Alberto Pitta, possui proposta semelhante à do guitarrista baiano, que é a de misturar os ritmos como faz em seus ensaios no Pelourinho. “Armandinho e o Cortejo transmitem a mesma mensagem e, além disso, é sempre bom tocar com o maior instrumentista dessa cidade”, disse Alberto Pita.

30/03/2011

Marquinhos Marques apresenta seu show afro pop no Pelourinho



Com um show afro pop, o também cantor do Cortejo Afro Marquinhos Marques irá se apresentar no Pelourinho no próximo sábado, 02 de Abril, no Largo Tereza Batista, às 21h. O show faz parte da programação do programa Pelourinho Cultural, do Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Marquinhos pretende fazer um show de qualidade e com muita energia positiva já que o Pelourinho é um lugar onde sempre se apresentou com o Cortejo. “É sempre uma honra tocar no pelô, afinal passei boa parte da minha vida tocando nesse lugar”, disse o artista.

Conhecido como Marquinhos Marques ou Marquinhos do Olodum, o cantor foi convidado a integrar a ala de canto do Olodum em 1989, onde permaneceu durante onze anos, sempre a frente do trio elétrico com todo seu balanço.

Marquinhos Marques já cantou no prestigiado Festival de Nyon, que ocorre anualmente na Suíça, enquanto no Brasil já fez mais de oitocentos shows, tendo percorrido do Amazonas ao Rio Grande do Sul.

Além de cantar, também compõe sozinho, e com parcerias, tendo diversas músicas suas gravadas com sucesso por outros artistas e bandas, como Cara Caramba (Chiclete com Banana), Eu To Aki (Asa de Águia) e Berimbau (Olodum).

Serviço:

Marquinhos Marques
Data: 02 de Abril
Local: Largo Tereza Batista
Horário: 21h
Entrada: Gratuita

18/03/2011

Bloco Afro Bankoma leva o candomblé para o público do Pelô através da música



Depois de agitar o Carnaval de Salvador, o Bloco Afro Bankoma vai proporcionar ao público do Centro Histórico um mergulho musical na história afro-brasileira no show que acontecerá no dia 19 de março (sábado), às 21h, no Largo Quincas Berro d’Água.

A apresentação faz parte da agenda do programa Pelourinho Cultural, do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-Ba).

O Bankoma já tocou diversas vezes no Pelourinho, mas é a primeira vez que se apresenta no Largo Quincas Berro d’Água e no show o grupo pretende fazer uma ressaca do Carnaval com um repertório muito parecido com o que levou para a avenida.

“Ficamos muito felizes com a homenagem que foi a percussão no Carnaval desse ano e queremos retomar essa homenagem no nosso show”, disse o vocalista da banda, Jander Neves.

O bloco afro tem como maior objetivo falar da religiosidade, ou seja, levar o candomblé para seu público. “Queremos mostrar um pouco das comunidades tradicionais de matrizes africanas, onde o enfoque está nos ritmos com linguagem musical inovada dentro da modalidade afro pop”, disse o vocalista.

O grupo Bankoma surgiu no Terreiro São Jorge Filho da Goméia através das oficinas artísticas, lúdicas e pedagógicas e já se apresentou com o cantor internacional Gil do Carmo, na Europa, no Palácio de São Jorge, famoso monumento histórico de Lisboa (Portugal).

O grupo estreou no ano de 2000 no Carnaval de Salvador, após ter a sua participação na Micareta de Portão. O sucesso absoluto de público assegurou a continuidade das suas ações que sempre foram reforçadas pelas oficinas e ações de capacitação que são desenvolvidas na Associação São Jorge Filho da Goméia.

Serviço:
Bankoma
Quando: 19 de março
Onde: Largo Quincas Berro d’Água
Horário: 21h
Valor: Gratuito

Lia Chaves mistura Afro, Soul e Blues no Pelourinho



A cantora Lia Chaves promete uma noite especial no seu retorno aos palcos do Pelourinho na quarta-feira, dia 23 de março, às 21h no Largo Pedro Archanjo. Com a mistura de ritmos de raízes africanas, Lia Chaves solta a voz com o seu grupo, dentro da agenda do programa Pelourinho Cultural, vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-Ba) e ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).

Considerada a Blueswoman por sua performance no palco e pela voz inconfundível, a cantora, que não se apresentava no Pelourinho desde maio de 2010, preparou um repertório dançante para esse reencontro com seu público. “Sempre fui muito bem recebida no Pelourinho, tenho um público que gosta da boa música e espero fazer o meu melhor, sempre”, destacou a cantora.

A seleção das músicas é baseada no canto para os Orixás e o repertório foi cuidadosamente montado através de uma pesquisa, já que as raízes do Soul, do Blues e do Candomblé são da mesma matriz africana. “É um canto de louvor aos Deuses, lamentos, crenças e cotidiano”, define Lia Chaves.

A cantora dá uma nova roupagem a canções consagradas, dando preferência a músicas de compositores baianos, dentre elas Deixa a Gira Girar, Glorioso Santo Antônio, É d’Oxum e Muito obrigado axé. Acompanham Lia Chaves no show os músicos Diego Rosa (piano) e Ricardo Costa e Cezinha na percussão.

Com mais de 25 anos de carreira, Lia Chaves deu inicio a sua carreira no Bloco Crocodilo, foi cantora da Orquestra do Maestro Zeca Freitas, da Quartier Blues Band, ganhou o prêmio de melhor interprete do primeiro Festival de Música da Rádio Educadora e tem uma carreira solo respeitada como uma grande cantora baiana.

Lia Chaves no Pelourinho
Data: 23 de março (sábado)
Local: Largo Pedro Archanjo
Horário: 21h
Entrada Gratuita

07/03/2011

No circuito Batatinha, afro e afoxés divertem e emocionam



A noite de domingo foi dominada pela alegria dos foliões dos blocos de matriz africana.

Em mais uma noite de ritmos, o Circuito Batatinha recebeu neste domingo, 06, o desfile de blocos afro e afoxés de bairros da periferia de Salvador e também da Região Metropolitana.

Os tambores fizeram a festa, mas também teve espaço para o samba e o ritmo religioso do ijexá. Apesar do público que circula pelas ruas do Centro Histórico, a animação no circuito é mesmo dos associados dos blocos que vêm de bairros distantes para participar da folia.

Do bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, o bloco afro Zambiã realizou um dos desfiles mais bonitos e empolgantes. Oxum, a Orixá que rege 2011, foi homenageada através do dourado das fantasias dos foliões, das alas de dança e da banda. "Oxum é deusa guerreira e nos protege.

São muitas dificuldades para manter este bloco há 19 anos. Apenas há cinco conseguimos participar do Carnaval de Salvador. É a vontade de representar nossa negritude que nos faz estar aqui, com sofrimento e alegria", desabafou emocionada Rafaela Anunciação, diretora do afro Zambiã.

O dourado de Oxum esteve presente em outros desfiles como do afoxé Luaê e do afro Alabê, mas outro orixá também foi lembrado. O afoxé Kambalagwanze celebrou Xangô, o Deus da Justiça, espalhando o vermelho pelo circuito Batatinha.

"O nome Kambalagwanze é uma das denominações a Xangô em Angola. O nosso tema este ano são as rezas e benzeduras", explica Iracema Neves, presidente do afoxé nascido no Barbalho, mas ligado a um terreiro de Candomblé do bairro de Mussurunga.

Outros ritmos - Inovando no ritmo musical, o Afro Liberdade trouxe o samba do grupo Kangerê de Sinhá, que fez o público formar rodas e requebrar na Avenida. Bandeiras dos países africanos estampavam a camisa dos foliões do bloco que veio do Curuzu. "O Brasil é toda a África", disse o diretor Osvaldo Bailado.

A diversidade de ritmo seguiu no desfile do bloco afro Dandara, de São Caetano, que também apostou no samba, e no afoxé Luaê. A homenagem era aos povos indígenas, mas o cantor Edmilson Freitas, o Mico Santos, prometeu mandar RAP, pois “carnaval é a festa de todos os sons”, justificou o também diretor do Luaê, apresentando um terceiro nome artístico, “sou também conhecido como o Índio do RAP”.

Outro desfile empolgante foi realizado pelo afro Alabê, graças ao repertório eclético da banda que trouxe hits pop na batida dos tambores. "A banda é formada por pessoas da nossa própria comunidade do Curuzu – Liberdade, que ensaiam o ano inteiro para fazer esta festa", destaca o diretor Alírio Macêdo. A sequencia percussiva no Circuito Batatinha contou ainda com os tambores do afro Ogun Xorokê e o afoxé Olorum Baba Mi.

Tapete Branco - Já passava das 2h da manhã de segunda-feira quando os integrantes do afoxé Filhos de Gandhy retornavam ao Centro Histórico após desfile no Campo Grande. A maioria não mais demonstrava a farta quantidade de colares no pescoço como no início do desfile na tarde de domingo.

O afoxé mais tradicional do Carnaval sai novamente na segunda-feira, no circuito Dodô (Barra-Ondina), e terça-feira, no circuito Osmar, sempre acompanhado da versão feminino, o afoxé Filhas de Gandhy. Para os próximos dias, os integrantes do Gandhy terão que reabastecer o estoque de colares e de alfazema, afinal, a cidade aguarda com ansiedade o cheiro deixado na Avenida após a passagem do ‘tapete branco do Carnaval’

05/03/2011

Pelourinho abre alas para Bloco Afro Olodum



Animado e com um batuque que é conhecido de longe, o Bloco Afro Olodum sai da Escola Olodum para participar do Carnaval do Pelourinho. Com grupos de dança e performance à frente, o grupo caminhou pela rua Gregório de Matos e fez um show reunindo centenas de foliões na frente da sua sede.

Espectadores como o Governador do Estado, Jacques Wagner, que estava acompanhado da sua esposa, Fátima Mendonça, Secretário de Comunicação, Robinson Almeida, a senadora Lídice da Mata e o deputado federal Nelson Pelegrino, presenciaram o espetáculo.

Além dessas personalidades, quem também compareceu foi o guitarrista Armandinho que já toca no Pelourinho com o show Armandinho Convida no Pelô através do edital Tô No Pelô.

“Minha enteada dança no bloco e, além disso, é um bloco muito bonito”, disse o artista. Quem também foi prestigiar pela primeira vez o Bloco Olodum foi o ator Rafael Zulu, o Adriano da novela “Ti Ti Ti”. “Impossível não sair outra vez no bloco, é maravilhoso”, disse Rafael.

20/02/2011

CORTEJO AFRO NO PARQUE DA CIDADE



O Cortejo Afro foi a atração deste domingo no projeto Música no Parque, em Salvador.

Com entrada franca o show foi realizado a partir das 11h no Anfiteatro Dorival Caymmi, no Parque da Cidade.

No projeto que está completando nove anos, o Cortejo Afro mostrou sua batida inconfundível que mistura som percussivo com elementos da música pop e eletrônica.

17/12/2010

Leão de Sete Cabeças (1970), filme afro de Glauber Rocha, é exibido em Salvador

Filmada na África, obra prima será exibida no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, dia 20/12, às 21h, para convidados e com lugares disponíveis até a lotação da sala. Às 20h acontece o lançamento do DVD duplo com o processo de restauração do filme, além de Box Comemorativo dos “100 anos de Cinema na Bahia” e anúncio da restauração de mais dois clássicos baianos.

Depois de ser apresentado no 43ª edição do Festival de Cinema de Brasilia, Salvador poderá ver pela primeia vez a cópia restaurada de “O Leão de Sete Cabeças”, filme dirigido por Glauber Rocha.

Guardado durante 30 anos na Cineteca Nazionale di Roma, a primeira produção de Glauber Rocha fora do Brasil será exibida em sessão especial para convidados e lugares disponiveis até lotação da sala no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, na Praça Castro Alves. A exibição acontece na próxima segunda-feira, 20/12, às 21h.

Antes, às 20h, o ministro de Estado da Cultura, Juca Ferreira e o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, fazem a abertura oficial da exibição, com o lançamento dos DVDs do “Leão de Sete Cabeças”, além do Box Comemorativo dos “100 anos de Cinema na Bahia” com 30 filmes baianos, além da assinatura do Termo de Acordo e Compromisso que vai garantir a restauração de duas obras baianas: “A Lenda de Ubirajara” (1975) de André Luiz Oliveira e “A Grande Feira” (1961) de Roberto Pires.

A restauração do “Leão de Sete Cabeças” faz parte da segunda fase do projeto Coleção Glauber Rocha, que, na primeira, já restaurou os filmes Barravento, Terra em Transe, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro e A Idade da Terra. Em Salvador, o filme será exibido no dia 21/12, às 21h, no Cine Glauber Rocha.

A iniciativa é uma realização do Tempo Glauber e da filha do cineasta, Paloma Rocha, e tem o aporte financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através da Secretaria de Cultura, e contou com o apoio da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV), da Cinemateca Brasileira e da Cineteca Nazionale di Roma. O projeto também abarca as restaurações dos filmes Cabeças Cortadas, Claro, Câncer e História do Brasil.

O secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, que esteve em Brasília na primeira exibição da cópia restaurada, comemorou. “Neste ano de 2010, celebramos 100 anos de cinema. Vimos investindo na preservação de nossa memória audiovisual. Além desse filme de Glauber, apoiamos o restauro do primeiro longa-metragem baiano, Redenção, de Roberto Pires, por quem Glauber tinha grande deferência. Estamos apoiando também com recursos do Fundo de Cultura da Bahia, a restauração de parte do acervo de Alexandre Robatto Filho, pioneiro do cinema baiano. São ações pontuais, mas que integram um programa de preservação do patrimônio audiovisual da Bahia”.

A história da restauração de Leão
O original do filme do filme foi repatriado da Itália para o Brasil em 2009, quando a parceria entre Tempo Glauber, Cinemateca Brasileira, ABCV e Cineteca Nazionale di Roma foi formalizada, com incentivo da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A restauração consistiu primeiramente no escaneamento no formato 4K e o restauro digital em 2K realizado pelos Estúdios Mega.

O processo possibilitou a confecção de uma nova matriz, em alta definição, e um novo negativo em 35mm. A versão original do áudio em vários idiomas foi recuperada a partir de uma única cópia 35mm - que estava em avançado estado de deterioração - e de fitas Umatic. O restauro foi executado pela JLS Facilidades Sonoras.

O filme

O cenário de Leão de Sete Cabeças é o Congo Brazaville de 1969. Vivendo no exílio imposto pela ditadura militar brasileira, o cineasta baiano Glauber Rocha, principal nome do Cinema Novo, expõe neste filme o colonialismo europeu que domina a África a as tentativas do povo nativo em se libertar desse domínio. Assim Glauber continuou retratando as mazelas que tanto afligem os países pobres e fez disso marca da sua obra cinematográfica.

Quando Leão de Sete Cabeças estava sendo produzido, os críticos acreditavam que Glauber deveria filmar apenas paisagens em seu próprio país. Mas, quando o filme foi concluído, viram que o argumento se mostrou falho. O longa demonstrou perfeita integração com a evolução estética glauberiana, embasada na linguagem visual e cênica de uma espécie de “pan-terceiromundismo”, e apresentou personagens arquétipos, todos com algum tipo de poder.

De um lado, os pilares do imperialismo - invasores europeus e norte-americanos, além da Igreja e seu eterno cortejo ao poder. A elite local era um fantoche denominado e coroado presidente. Do outro, os revolucionários locais, contraditórios em suas lutas e indecisos entre a centralização do movimento e a manutenção do sentimento tribal, mesmo em busca de um objetivo em comum: a liberdade perante o colonialismo estrangeiro.

Mais que denunciar as injustiças existentes no continente africano, Glauber apresentou dados para que a consolidassem como estados soberanos. Para a professora de Cinema e ensaísta da UFRJ, Ivana Bentes, “o que Glauber parece dizer é que nenhuma explicação histórica, sociológica, marxista ou capitalista, pode dar conta da complexidade e tragédia da experiência da pobreza”, constata.

Glauber imaginou o filme como uma epopéia africana, pensando-a como ponto de vista do homem do Terceiro Mundo, se opondo aos filmes comerciais que tratavam de safáris, ao modelo de concepção dos brancos em relação àquele continente. Para ele, trata-se de uma teoria sobre a possibilidade de um cinema político, feito na África justamente porque o cineasta acreditava ser o lugar que possuía os mesmos problemas do Brasil.

Ele complementa esse pensamento declarando sua aversão à leitura sociológica da miséria feita pela esquerda, visto no manifesto Estetyka do Sonho, escrito em duas versões (1966 e 1971), e que bebe nas fontes dos seus filmes realizados nesse período. Neste texto ele relata sua impotência e perplexidade perante as ditaduras militares, a fragilidade de intelectuais, artistas e militantes em combatê-las, além da acomodação popular que resulta nessa tragédia.

Glauber acredita que para superá-la é preciso seguir pelo caminho dos sonhos do cinema, provocando distúrbios nos códigos (sociais, políticos, estéticos, de comportamento), algo que já vinha sendo explorado em sua obra. Para alguns autores, Leão de Sete Cabeças pode ser visto como o elo perdido entre Terra em Transe e A Idade da Terra, a chave do enigma que liga a primeira parte da carreira de Glauber (os anos 60) com a segunda (de 1970 a 1980).

Preservação da obra de Glauber Rocha

Um dos objetivos da restauração de Leão de Sete Cabeças é dar continuidade à disseminação da obra de Glauber Rocha em alta qualidade, já que há grande aumento na demanda pelos filmes do cineasta, tanto nas escolas de cinema, quanto nos festivais nacionais e internacionais, e, por fim, para uso de trechos em documentários.

Todos querem assistir à obra de Glauber, em bom ou mal estado, mas isso tem obrigado os detentores das cópias não restauradas a fornecer material de má qualidade, incompleto e deteriorado, o que causa constrangimento e não divulga a sua obra como deveria. A partir de 2003, com o advento da Coleção Glauber Rocha, esta realidade começou a mudar.

As cópias restauradas em formato de cinema digital, DVD e película de 35mm permitem que os filmes sejam distribuídos para mostras nacionais e internacionais, além da exibição em salas de cinema comerciais, universidades e outros espaços onde a obra de Glauber tem um alcance bastante significativo. O filme Terra em Transe, por exemplo, após a restauração, atingiu a marca de 10 mil espectadores nas salas de cinema, em apenas duas semanas em cartaz.

Extras do DVD

Os DVD’s contêm documentários especialmente realizados sobre cada filme, dirigidos por Paloma Rocha e Joel Pizzini. Neles estão reunidas entrevistas com elenco e equipe, cenas de arquivo, entrevistas inéditas com Glauber Rocha, o trailer original, artigos e reportagens, análise crítica feita por especialistas, versões de roteiros, roteiros, cartazes, trilha sonora, desenhos e story-board, tudo o que compreende o processo de criação e de produção intelectual do artista.

O patrimônio histórico e cinematográfico de Glauber reunido e vivo

O próprio Glauber, em 1980, escreveu uma carta preocupado com a recuperação dos negativos originais destes filmes. O documento foi editado e utilizado na apresentação do projeto, que ainda relata a necessidade da atenção e dos cuidados urgentes com os negativos originais para que seu processo de deterioração, já avançado, não acabe por prejudicar de modo irreparável a história do cinema brasileiro, no caso da perda definitiva de algum filme.

Glauber revolucionou a linguagem do cinema contemporâneo. Sua expressão artística influenciou movimentos políticos e culturais dos anos 60 como "Maio de 68" na França e o "Tropicalismo" no Brasil, entre outros, deixando um precioso legado de idéias e criações, impressas em filmes, vídeos, livros e uma extensa produção que ainda hoje permanece inédita – poemas, desenhos, peças de teatro, romances, roteiros de filmes não realizados.

E é todo esse conteúdo inestimável que precisa continuar vivo, e com a restauração, poderá ser conhecido pelas gerações futuras. Como disse o Secretário de Cultura da Bahia Márcio Meirelles: “Glauber continua vivo, um pensamento vivo, em ebulição. Um pensamento inesgotável, perturbador, ainda pouco compreendido no Brasil e no mundo.”


Ficha técnica

O Leão de Sete Cabeças
Direção: Glauber Rocha
Elenco: Rada Rassimov, Jean-Pierre Léaud, Giulio Brogi, Hugo Carvana, Gabrielle Tinti, René Koldhoffer, Baiack, Miguel Samba, André Segolo, Aldo Bixio, povo e dançarinos do Congo
Dedicatória: a Paulo Emilio Sales Gomes
Companhia produtora: Polifilm
Produtores: Gianni Barcelloni e Claude Antoine
Diretor de produção: Giancarlo Santi
Gerente de produção: Marco Ferreri
Assistente de direção: André Gouveia
Argumentistas e roteiristas: Gianni Amico e Glauber Rocha
Diretor de fotografia: Guido Cosulich
Som direto: José Antônio Ventura
Montadores: Eduardo Escorel e Glauber Rocha
Letreiros: Francesco Altan
Música: Folclore africano, Baden Powell e uma versão do Hino Nacional francês cantada por Clementina de Jesus
Locações: Brazzaville (Congo)

Equipe de restauro
Direção do projeto: Paloma Rocha
Curadoria e pesquisa: Joel Pizzini
Direção de produção: Márcia Cardim
Direção de fotografia: Luis Abramo
Assistente de direção: Sara Rocha
Restauração de imagem Mega e
Restauração de Imagem Mega e Som: Cinemateca Brasileira, Estúdios Mega e JLS Facilidades Sonoras
Apoio Financeiro: Fundo de Cultura da Bahia, Governo da Bahia e Secretaria Estadual de Fazenda e Cultura
Realização: Paloma Cinematográfica, Cardim Projetos e Soluções Integradas e Associação Baiana de Cinema e Vídeo - ABCV
Apoio: Associação dos Amigos do Tempo Glauber e Comunika Press


Serviço
Exibição do filme restaurado "O Leão de Sete Cabeças" e lançamento do DVD duplo do filme no Cine Glauber Rocha em Salvador, lançamento do Box Comemorativo dos “100 anos de Cinema Baiano”.
Onde: Cine Glauber Rocha – Praça Castro Alves, em Salvador-BA
Quando: 20/12/2010
Horário: 20h (para convidados e lotação sujeita à capacidade da sala)