16/11/2011

CCPI apoia Encontro Ibero-americano Internacional dos Afrodescendentes



Na semana em que se comemora o Dia da Consciência Negra, 16 a 20 de novembro, o Pelourinho sediará um encontro de reverência e reconhecimento à herança africana.

Salvador, capital da Diáspora Africana, sediará, de 16 a 20 de novembro, o Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes (Afro XXI), evento inédito no País.

A maior cidade de população negra fora da África irá recepcionar o Encontro em seu Centro Histórico, onde o Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) acolherá as atrações nos largos Tereza Batista, Quincas Berro d’Água, Pedro Archanjo, Praça das Artes e Largo do Pelô. Artistas de países como Peru, Colômbia e Costa do Marfim vão se unir a artistas locais para realizar uma programação rica e diversificada.

As atividades começarão nesta quarta-feira (16) com Will Carvalho, Tatau e o espetáculo teatral As Feministas do Muzenza. Seguirão nos outros dias com shows do grupo Cabeça de Nós Todos, que terá a participação especial de Daniela Mercury, além de apresentações de Lazzo Matumbi, Sambadeiras do Recôncavo, Olodum, Muzenza, Ilê Aiyê e Juliana Ribeiro.



As manifestações artísticas terão como grande gancho “as áfricas” espalhadas pelo mundo através da arte, conceitos e modo de vida e o que países de forte influência africana fizeram com toda esta bagagem cultural.

A herança africana que segue forte em diversos lugares do mundo possui desdobramentos que resultam em uma miscigenação cultural e manifestações artísticas únicas. Esse mix cultural poderá ser visto principalmente no Largo do Pelourinho, onde o espetáculo musical “África em Movimento”, resultado da erupção de danças, músicas e culturas populares, poderá proporcionar ao público contato com as manifestações de atores artístico-culturais da Bahia, do Brasil e dos países irmãos do universo africano e afrolatino.



A iniciativa é perfeitamente alinhada com a missão do CCPI de abrir espaços para valorização constante para as manifestações das culturas de matriz africana.



Atrações

Orquestra HB e Aloísio Menezes (São Paulo / Bahia) - A orquestra Heartbreakers foi criada em São Paulo no ano de 1987 por George Freire e Guga Stroeter. Desde então vem realizando trabalhos com os repertórios de salsa, samba e jazz.

O álbum Xirê Reverb debruça-se sobre a sequência de canções devocionais que é praticada nos terreiros da nação Ketu, uma das mais tradicionais da Bahia. Além dos três tambores e do agogô, foram acrescidos instrumentos de sopro, contrabaixo, piano, vibrafone e recursos eletrônicos sintonizando esses cantos ancestrais - interpretados por Aloísio Menezes - com as sonoridades da música contemporânea.

Ilê Aiyê (Bahia) - O mais antigo bloco da cidade de Salvador. Criado em 1974 no Curuzu, bairro da Liberdade, maior comunidade de afrodescendentes do país, tem como missão preservar, valorizar e promover a cultura afro-brasileira.

O seu movimento rítmico musical, inventado na década de 1970, foi responsável por uma revolução no carnaval baiano. A partir desse movimento, a musicalidade do carnaval da Bahia ganha força com os ritmos oriundos da tradição africana favorecendo o reconhecimento de uma identidade peculiar baiana, marcadamente negra.

Olodum (Bahia) - Grupo de percussão afro-brasileira de renome internacinoal, caracterizado pela mistura de ritmos que inclui batuques africanos, reggae, samba e ritmos latinos. Em seus trabalhos, aborda temas históricos relativos às culturas africana e brasileira e participa ativamente de movimentos sociais contra o racismo e pelos direitos civis e humanos.

Aicha Kone (Costa do Marfim) - Nascida de uma mãe de linhagem aristocrática Manding e pai da Costa do Marfim, Aicha Kone foi proibida por seus pais de seguir carreira musical. Eventualmente inspirada por cantores norte-americanos de música soul como Aretha Franklin, e também cantores africanos como o sul-africano Miriam Makeba, ela secretamente se juntou ao Instituto Nacional das Artes da Costa do Marfim, onde começou seus estudos.

Aicha Kone lançou seu primeiro álbum solo em 1981 e desde então tem trabalhado extensivamente com outros artistas, incluindo Kante Manfila (de Les Ambassadeurs, juntamente com Salif Keita) e Manu Dibango.

Aicha Koné é descendente da casa imperial de Kenedugu em Sikasso (na fronteira da atual Mali e Costa do Marfim). Sua mãe, Makoura Traoré, é a neta de Tièba Traoré, último imperador da Kenedugu e figura reverenciada de resistência ao colonialismo no final do século 19.

Makoura permaneceu ligada ao passado de sua família e se comprometeu a incutir em seus 15 filhos o orgulho de suas raízes Mandingo, os valores islâmicos e fé no futuro próspero e glorioso da África.

Takana Zion (Guiné) - Nascido na cidade de Conakry, Takana adora cantar desde criança. Ele deixou sua terra natal e foi para Mali que é um terreno fértil para jovens cantores. O que ele encontrou e aprendeu lá influenciou o resto da sua carreira.

Lentamente, Takana Zion desenvolveu sua música. Em 2007, lançou seu primeiro álbum "Zion Prophet" e visitou a França com a ajuda de Pierpoljak, cantor e estrela de reggae francês. Dado o sucesso do álbum, a obra foi reeditada em 2008 e Takana Zion preparou-se para gravar seu segundo álbum. "Recall da ordem" foi lançado em Maio de 2009 e incorpora a marca da Takana Zion: um poderoso Riddim (ritmo em jamaicano) um fluxo e o ritmo das músicas em inglês, francês, susu e malinke.

Kandia Kouyate (Mali) - Kandia Kouyaté (também conhecida como Kandja Kouyaté), nascida em Kita, é uma jelimuso Mali (um griot feminino) e jogadora, ela ganhou o prestigioso título de Ngara, na Tanzânia O, e às vezes é chamada de “La dangereuse”(A Perigosa) e “La grande vedette Malienne”( A estrela Malienne).

A intensidade de Kouyaté, a sua maneira emocional e hipnótica de cantar e seu talento lírico ganharam aclamação enorme no Mali, embora ela tenha se mantido relativamente pouco conhecida fora da África, isso devido à disponibilidade muito limitada de suas gravações. Sua cidade natal, Kita, é conhecida por canções de amor, que formam uma grande parte do repertório de Kouyaté.

Ela também canta canções de louvor. A carreira de Kouyaté começou no início de 1980, quando começou a usar vocais femininos no coral que a acompanha. Esta prática foi mais tarde apreendida por estrelas como Mory Kante e Salif Keita, e é agora parte integrante da música do Mali. Em 1983, ela gravou dois discos de vinil: “Amary Daou Kandia Kouyaté présente Kandja Kouyaté” e “L'Ensemble Instrumental National du Mali”. Seu álbum de estreia solo é “Kita Kansas”.

Kandia Kouyaté realizou uma turnê pela Europa em 1999 ao lado de cantores guineenses como Sekouba Bambino & Oumou Diabate e com 12 instrumentos do Oeste Africano, que incluíram kora, djembe, ngoni, balafon, baixo, teclado, backing vocals e percussão. A turnê, nomeada de “The Griot Groove Tour”, incluiu concertos na Alemanha, Áustria, Noruega, Suécia e Reino Unido.

Choc Quib Town (Colômbia)

Banda mais representativa do Hip Hop Colombiano. O seu som inovador cria uma fusão entre o funk, o hip hop norte-americano, o regga jamaicano e elementos da música eletrônica para produzir batidas elaboradas; com ritmos tradicionais da Costa do Pacífico colombiano, tais como o bunde, currulao, bambazu e aguabajo e ainda outros sons da América Latina e do Caribe como a salsa, o songo e a guajira.

No seu país, onde é considerado um grupo de "heróis locais", a banda tem milhares de seguidores. Os integrantes já fizeram colaborações com grupos como Aterciopelados, Sidestepper, Banda La Republica, Salsaband, La 33 e o mestre de hip hop francês, Oxmo Puccino.



Dia 17 - Muncab – Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira

O Muncab, museu que será um equipamento cultural para a preservação da história e da cultura negra brasileira e que tem a missão de tornar-se um centro de referência e articulação de memória, ancestralidade e contemporaneidade, abrirá as suas portas dia 17 de novembro, especialmente para o público do Encontro do Ano Internacional dos Afrodescedentes. Na ocasião, serão apresentadas três exposições que sintetizam a importância da cultura negra no mundo.

“Mestre Didi: o escultor do Sagrado”

Reunirá 50 peças pertencentes ao Museu Afro Brasil e também ao acervo do próprio artista, cuja trajetória simboliza a força viva da presença africana no Brasil.
“A magia de suas esculturas está na forma como o Mestre Didi transpõe a energia de interpretação mitológica e inventividade de formas, ritmos e composições, se articulando num espaço negativo e positivo, num desafio de equilíbrio totêmico que se abre no espaço, como árvores plantadas numa base de seção côncava e circular”
Curadoria: Emanoel Araujo.

Coleção Inicial do Acervo do Muncab

O acervo, em processo de formação, reúne pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, além de abarcar diversas facetas dos universos culturais africanos e afro-brasileiros.
Curadoria: Emanoel Araujo.

Nós e os Afrobrasileiros

Uma Iconografia de personagens históricos, conhecidos ou anônimos, que contribuíram para a formação da identidade nacional: Juliano Moreira, Teodoro Sampaio, Cruz e Souza, João Candido, autor da revolta da chibata, Ruth de Souza, Grande Otelo, Milton Santos, Dorival Caymmi, Assis Valente. Criada em homenagem especial ao Monsenhor Gaspar Sadoc e ao encerramento do Ano Internacional dos Afrodescedentes.
Curadoria: Emanoel Araujo.

Seun Kuti (Nigeria) - Oluseun Anikulapo Kuti é o filho mais novo do criador do afrobeat, Fela Kuti. Seun possui dois álbuns gravados com uma formação renovada da banda Egypt 80, que acompanhava o seu pai. O ritmo afrobeat é a principal influência na sua música, entretanto vem com importantes inovações no ritmo percussivo e de sopros.

As letras trazem a marca do compromisso social e denúncia da corrupção na política da Nigéria, sem poupar as multinacionais que a financiam e dela se beneficiam. Seu último álbum, “From Africa with Fury: Rise”, foi gravado no Rio de Janeiro e posteriomente mixado em Londres. Seu forte senso de compromisso é afirmado na continuidade ao trabalho artístico, social e político iniciado por Fela (falecido em 1997).

NovaLima (Peru) - Pioneiro na produção de uma amálgama sonora que contém os intensos ritmos e melodias da música afroperuana com o groove do dub reggae e as batidas do funk latino, o grupo tem sido apontado como o futuro da música afroperuana. Descreve a estória da sua música ligando-a ao período em que africanos da costa oeste foram escravizados e brutalmente transportados para as colônias europeias nas Américas dentro de porões dos navios negreiros.

A intensa dor daqueles africanos escravizados e também dos que sobreviveram a tamanho sofrimento tem sido documentada ao longo dos anos através da música de raíz e folclórica. Nos EUA, existe o blues, no Peru chama-se simplesmente música afroperuana ou afro. Esta é a música que o povo negro peruano criou para descrever seus medos, seu sofrimento, sua cultura e sua angústia.

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