Fotos: Windson Souza / Lucas Rozário.
A artista plástica Telma Calheira assina a decoração que presta homenagem aos 220 anos da Revolta baiana
Todos
os anos a decoração do Pelô se torna um dos principais atrativos do
carnaval, despertando o interesse dos nativos, que já sabem que nesta
época do ano as ruas do Centro Histórico
se enfeitam para receber a folia, e surpreendendo e encantando aos
turistas das mais diversas localidades. A decoração deste ano, assinada
por Telma Calheira, inspirada no tema 220 anos da Revolta dos Búzios –
Igualdade e Liberdade, já pode ser visitada.
Autodidata
de Ibirataia, cidade pequena e tranquila do sul da Bahia, a artista
plástica Telma Calheira trabalha com decoração há vinte anos, e suas
obras trouxeram alegria a quase todos
os Carnavais durante este período. Em 2018, o grande desafio para a
artista é transformar a Revolta dos Búzios em matéria festiva. Um evento
histórico recheado de acontecimentos trágicos foi desconstruído em
fortes elementos decorativos para despertar a curiosidade
do folião pela história.
“Desenvolver
a Revolta dos Búzios foi bem difícil, pesquisei, não dava para errar.
Mostrar 220 anos da revolta através de uma festa, eu precisava de
elementos fortes para contar essa
história”, revelou Calheira. Apostando nos ideais que motivaram a
revolta mais significativa do Brasil, Igualdade e Liberdade, a artista
utilizou peças grandes com os símbolos do acontecimento. Através de
pórticos, postes com mandalas, com caricaturas dos
revolucionários abolicionistas, e dos requisitados bonecos gigantes, a
decoração revive com arte os ideais centenários do povo brasileiro.
A
qualidade do material é fator importante na decoração exposta a céu
aberto. Selecionados com afinco, os belíssimos tecidos africanos
utilizados na ambientação festiva foram garimpados
em São Paulo pela artista. “Além das inúmeras figas, das mandalas com
quase 3 metros, e para atender as cobranças pelos bonecos,
confeccionamos diversas peças grandes num tempo bastante apertado”,
revelou Telma que também é responsável pela ornamentação pública
em diferentes cidades espalhadas pelo país, em diferentes épocas. A
artista baiana coleciona trabalhos em ambientação sobre as temáticas
natalina, carnavalesca e junina.
Repercussão –
Pelas
ruas, os visitantes já aproveitam para fazer selfies e fotos em grupo
junto aos elementos decorativos, os bonecões, localizados no Largo do
Cruzeiro de São Francisco,
costumam ser as peças mais disputadas para um clique.
O
casal de soteropolitanos César Portela e Salima Freitas, cientes de que
nessa época do ano o Pelourinho já está enfeitado, levou uma prima que
mora nos Estados Unidos para visitar o
local. “A decoração está bem bacana, gostamos bastante e estamos
tirando fotos para deixar tudo registrado. E o tema é super bem vindo,
oferece uma oportunidade de se falar sobre isso”, opina Salina. Para
César, “é enriquecedor tanto para as pessoas de fora,
que vão conhecer essa história pela primeira vez, quanto para muitos de
nós que somos da terra de relembrar algo que estudamos há muito tempo
atrás. Falar sobre cultura e história é sempre importante e a Bahia tem
buscado isso”, reflete o representante comercial.
A
decoração agradou não só aos visitantes. O comerciante Rosalvo dos
Anjos, conhecido como o Castanha do Pelourinho, em referência à iguaria
que vende no bairro há mais de 20 anos, também
aprovou. “O pessoal vem se divertir, pra ver coisas bonitas e levar uma
lembrança do Pelourinho. Enquanto eles param pra tirar fotos, eu já
aproveito pra oferecer a minha castanha”, conta Castanha, que já
comemora o bom movimento no Pelô.

Nenhum comentário:
Postar um comentário