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Muda vem de mudança, é o mesmo que calada. É uma planta no início da evolução. Esses três significados servem como guia para a história visual do clipe "Muda" - segunda música de trabalho do cantor baiano Hiran - que acaba de ser lançado com produção da Blitzkrieg. De fotografia, direção de arte e roteiro inspirados, o filme mostra algumas faces do artista que vem causando com seu primeiro disco, "Tem mana no RAP" e encantando com suas rimas inteligentes e doídas.
Os versos do refrão chiclete "Burrice pega, mas não vai pegar em mim" insistem numa reflexão que o artista considera importante nos tempos atuais e que o levou a lançar o clipe às vésperas das eleições.
“Muda não é um ataque, é um pedido de reflexão sobre uma série de coisas que muitas vezes nos são impostas e que as pessoas que nunca têm como revidar sempre foram obrigadas a engolir", explica o cantor. "Claro que isso nasce de um ponto de vista de quem viveu as coisas que eu vivi, mas é um olhar, por incrível que pareça, positivo, que traz uma luz a uma escuridão injusta e ancestral" acrescenta Hiran.
Segundo ele, "Muda" foi escolhida como nova canção de trabalho por ter uma importância especial. "Essa música, de todas as que estão no disco, foi a que mais me 'lavou', uma vez que o álbum é um processo de expurgar coisas que estavam presas e que eu nunca tive coragem de falar", justifica.
O clipe dialoga com tudo isso e colide na estética e realidade do tom dado ao instrumental criado por Tiago Simões.
Sobre Hiran
Nascido e criado em Alagoinhas, no interior da Bahia, Hiran traz em suas canções um frescor para a cultura hip-hop. Os toques, beats, suingues, métricas e flows que passeiam entre o 'grimme' londrino, o funk carioca, o r&b norte-americano e a vasta gama de possibilidades musicais da cultura baiana são os elementos que compõem o seu projeto de estreia.
Admirado e querido na cena, Hiran foi apadrinhado por Russo Passapusso que o levou para cantar no trio do Baiana System no Carnaval de Salvador deste ano. Lá, com o mic na mão, Hiran impactou, entre milhares de pessoas, ídolos como Caetano Veloso e BNegão.
De lá pra cá, o cantor fez show no Circo Voador, abriu shows para BNegão, ficou conhecido na cena alternativa paulista e estrelou uma campanha da Rider/Melissa ao lado de Ludmila e Duda Beat.
Hiran é uma muda real e em vertiginosa evolução.
Sobre a BlitzKrieg
O projeto BlitzKrieg surgiu da inconformidade com o momento profissional e social vivido no país. A falta de profundidade em projetos plastificados pela indústria, conteúdo gerado sem identificação, e a necessidade de expressão é o que motiva essa galera a se juntar e dar start em um novo momento para o audiovisual brasileiro.
O termo Blitzkrieg, ou guerra-relâmpago, é uma tática militar que consiste em usar ataques rápidos e de surpresa para não dar tempo ao inimigo armar a defesa. Ficou tão popular, no sentido de efeito surpresa, que no Brasil todas as operações surpresas iniciadas pela polícia no trânsito são chamadas de Blitz.
A filosofia punk é a essência da BlitzKrieg. Do it yourself, ser o contraponto. Produzir por se identificar com a mensagem, ter propósito, ser disruptivo.
O estilo de produção três acordes, minimalista, com poucas pessoas executando mais de uma função ao mesmo tempo surge para desconstruir o modelo de hierarquia em um set de filmagem. A soma de todos é o que faz a Blitzkrieg, o individual não é o foco.
Bem vindos a roda punk.

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