13/11/2015

Lídia Goldenstein abre o ciclo de palestras da 26ª Convenção Anual da ADEMI-BA


Fotos: Kin Kin

Economia Criativa foi o tema do primeiro dia de palestras da 26ª Convenção Anual da ADEMI-BA (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia) com a economista e consultora Lídia Goldenstein. O evento, que acontece até domingo (15), no Tivoli Ecoresort Praia do Forte, reúne associados, familiares e parceiros da entidade.
O presidente da ADEMI-BA, Luciano Muricy Fontes, deu as boas-vindas aos presentes e falou sobre o cenário econômico do país ecomo a economia criativa pode ajudar o setor imobiliário. “É com criatividade e nos reinventando que vamos superar este momento difícil. Outras crises já passaram e nos superamos, então não podemos ficar de braços cruzados, temos que abrir horizontes, montar estratégias e encontrar novas formas e conceitos para modificar este cenário. E através da economia criativa, abordando novas tecnologias e inovações, podemos fazer isso”, afirmou.
Lídia iniciou a palestra discorrendo sobre o atual cenário econômico. “A perspectiva de crescimento do país está em baixa, a taxa de desemprego está alta, em mais de 10%, a confiança dos empresários decai. Outro fator preocupante é o IPCA, também em 10%, e tudo indica que o ano de 2016 será pior. Então temos que resolver essas questões, senão o país não vai para a frente. Porém, mesmo solucionando a crise temos que pensar nas novas dinâmicas internacionais e como o Brasil pode se associar de uma maneira mais positiva, caso contrário nós vamos crescer um pouquinho e voltar a ter crise, crescer um pouquinho e voltar a ter crise, é o famoso STOP AND GO que os economistas chamam”, explicou.
Economia Criativa é um termo criado para nomear modelos de negócios ou gestão que se originam em atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda.
De acordo com Lídia, diferentemente da economia tradicional, de manufatura, agricultura e comércio, a economia criativa, essencialmente, foca no potencial individual ou coletivo para produzir bens e serviços criativos. Grande parte dessas atividades vem dos setores de design, tecnologia, inovação, desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos celulares.  As novas tecnologias se propagam numa velocidade muito grande, sendo impossível controlar a globalização e a revolução digital.
“Nos EUA, atualmente 34% dos empregos nas indústrias são voltados para atividades do setor de serviços como: propaganda, vendas, P&D, tecnologias e bancos. No contexto da crise, temos que pensar em estratégias diferenciadas para não precisarmos conviver com o desemprego e a alta taxa de violência. A economia criativa se tornou uma poderosa força transformadora no mundo de hoje, sendo um dos setores com crescimento mais rápido no mundo econômico, não apenas em termos de geração de renda, mas também na criação de empregos e em ganhos de exportação”, ressaltou a economista.
Segundo Lídia, a economia criativa deve ser usada no setor imobiliário para modernizá-lo. “Precisamos mudar os velhos negócios. A forma que se produz imóveis no Brasil ainda é muito pouco moderna, a forma que se vende imóveis no país também é. Então, o que temos que pensar é que de um lado o mercado tem que se modernizar como produtor de imóveis, e de outro lado ele tem uma altíssima dependência da renda e do emprego. Você pode até modernizar os seus métodos construtivos, mas se a renda e o emprego não estiverem crescendo, você não vende imóveis. Este cenário muda a partir do momento que se investe em inovação, em criatividade e na Economia Criativa”, informou.
A economista ainda destacou que o Brasil é uma economia fechada e que precisa de políticas mais modernas. Disse ainda que as universidades ensinam conteúdos obsoletos, falta interdisciplinaridade e que a Ciência da Computação é uma língua que precisa ser ensinada. "O crescimento sustentável da economia do Brasil depende do investimento em design, tecnologias e criatividade", disse.
Ao fim da palestra, Lídia mostrou como o setor privado pode se fazer mais presente. “Precisa pressionar o governo, com propostas de políticas públicas viáveis e modernas, só assim podemos tornar a indústria competitiva e produtiva. Acredito ser um processo longo e difícil, mas precisamos mostrar facetas de dinamismo”.

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