Tom Zé participa da abertura da exposição que foca ambiência anterior ao movimento musical tropicalista
Como
eram os jovens dos anos 1960, na Bahia, antes que o Tropicalismo fosse
gerado no sudeste do país? Um viés
da efervescente ambiência cultural desta época está sendo reconstituído
a partir de peças de acervos museológicos, compondo a exposição Tropicália: Régua e Compasso (A Bahia Cultural Pré-Tropicalista).
A mostra será aberta no dia 8 de dezembro, quinta-feira,
às 17h, na Sala Contemporânea Mario Cravo Jr, do Palacete das Artes,
com bate-papo com o cantor e compositor Tom Zé, um dos ícones da
Tropicália. O público tem acesso livre ao evento.
Até 30 março de 2017, ano de comemoração dos 50 anos da Tropicália, a exposição fica montada para visitação,
inspirando ações paralelas do projeto Tropicália: Régua e Compasso,
idealizado por Fernanda Tourinho, diretora da Fundação Cultural do
Estado da Bahia (Funceb), que realiza o projeto com o Instituto do
Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) - ao qual
pertence o Palacete das Artes -, e com a Fundação Pedro Calmon (FPC),
entidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia
(SecultBA).
De
acordo com Murilo Ribeiro, diretor do Palacete e curador da mostra,
“esta exposição nunca foi tão oportuna
para entendermos exatamente o ambiente na Bahia que proporcionou o
florescer da Tropicália. Esse ambiente foi muito positivo, sobretudo
pela importância do reitor Edgard Santos, da Universidade da Bahia, que,
catalizador, trouxe figuras relevantes para a geração
desse movimento”. O recorte da mostra reúne informações que servem para
o conhecimento das novas gerações, detalha e conclui: “Todos estão
convidados a embarcar nessa memória”.
Vanguarda na Bahia - Uma
das presenças na Bahia no período pré Tropicalista, o suíço Walter Smetak é autor das Plásticas Sonoras,
peças consideradas obras de arte por críticos e pesquisadores e que
terão um recorte exibido ao público da exposição no Palacete.
Instrumentos
concebidos pelo “velho mago” foram um sopro de renovação na música da
Bahia, influenciando uma geração de músicos e artistas, ao harmonizar referências populares, como cabaças, com elementos
eruditos.Es
Partindo
para experimentações sonoras e plásticas, o mestre da Escola de Música
defendia ideias como a de que alguns instrumentos
poderiam ser criados para domar o ego e unir as pessoas, a exemplo do
“Pindorama”, que poderia ser tocado, ao mesmo tempo, por 28 pessoas.
Smetak recebeu (in memoriam) a medalha da Ordem do Mérito Cultural do
Ministério da Cultura.
Assim
como Walter Smetak, a italiana Lina Bo Bardi integrou o grupo de
artistas e intelectuais da vanguarda européia que veio
residir na Bahia, no século passado, contribuindo para o dinamismo
cultural do estado. Ela se mudou para Salvador no final dos anos 1950,
assumindo a direção do Museu de Arte Moderna (MAM). Voltou seu olhar
para a cultura do Nordeste
brasileiro, iniciando uma coleção com objetos de madeira, utensílios de
barro, pilões, imagens do catolicismo e objetos do candomblé.
Lina
avaliava cada peça do seu acervo como um produto contemporâneo, uma
obra de design, desconsiderando conceitos
acadêmicos e europeus. No Palacete das Artes os visitantes conferem
ex-votos, lamparinas, objetos de feiras e outras peças do recorte da
coleção de 2 mil itens de Lina, que faz parte do acervo permanente do
Centro Cultural Solar Ferrão/Dimus, do IPAC, assim
como a coleção de Smetak.
Obras do acervo do MAM/Dimus também estão sendo cedidas para a mostra Tropicália: Régua e Compasso.
Peças
de Yanka Rudzka, Carybé, Juarez Paraíso, Lênio Braga, Jenner Augusto,
Pierre Verger, além de fotos dos acervos de Lia e Silvio Robatto,
integram a exposição.
Pesquisadora
e uma das pioneiras da dança contemporânea na Bahia, Lia Robatto doou
seu acervo e o de seu marido,
o arquiteto, fotógrafo, roteirista e cineasta Silvio Robatto, para o
Centro de Memória da Bahia, unidade a Fundação Pedro Calmon. Peças deste
acervo estarão na exposição montada no Palacete, refletindo não somente
a linguagem dança e suas interfaces com o
teatro, mas também os costumes, modas, manifestações culturais e
populares da época em foco.
SERVIÇO
TROPICÁLIA: RÉGUA E COMPASSO
Abertura da exposição:
dia 8 de
dezembro, quinta-feira, às 17h. Bate-papo com Tom Zé; visitação da
exposição; apresentação de professores e alunos do Laboratório de Música
do CFA da Funceb, capitaneados por Letieres Leite; apresentação
especial de artistas "smetakeanos" (Tuzé de Abreu, Bárbara
Smetak, Uibutú Smetak, Paulo Dourado, entre outros).
Programação até março, às terças, quartas e quintas-feiras sempre a partir das 17h:
A Sopa de Maria: Terças-feiras : 20/12, 10 e 24/01,
7 e 14/02, 14 e 28/03
Uma Ideia na Cabeça: todas as quarta-feiras até 30/03
Essa Noite se Improvisa: Quintas-feiras: 5 e 19/01, 09/02, 23 e 28/03
Seminário e lançamento de revista: dias 29 e 30/03
Uma Ideia na Cabeça: todas as quarta-feiras até 30/03
Essa Noite se Improvisa: Quintas-feiras: 5 e 19/01, 09/02, 23 e 28/03
Seminário e lançamento de revista: dias 29 e 30/03

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