07/12/2016

Exposição “Tropicália: Régua e Compasso” tem lançamento no Palacete das Artes


Tom Zé participa da abertura da exposição que foca ambiência anterior ao movimento musical tropicalista


Como eram os jovens dos anos 1960, na Bahia, antes que o Tropicalismo fosse gerado no sudeste do país? Um viés da efervescente ambiência cultural desta época está sendo reconstituído a partir de peças de acervos museológicos, compondo a exposição Tropicália: Régua e Compasso (A Bahia Cultural Pré-Tropicalista). A mostra será aberta no dia 8 de dezembro, quinta-feira, às 17h, na Sala Contemporânea Mario Cravo Jr, do Palacete das Artes, com bate-papo com o cantor e compositor Tom Zé, um dos ícones da Tropicália. O público tem acesso livre ao evento. 
Até 30 março de 2017, ano de comemoração dos 50 anos da Tropicália, a exposição fica montada para visitação, inspirando ações paralelas do projeto Tropicália: Régua e Compasso, idealizado por Fernanda Tourinho, diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que realiza o projeto com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) - ao qual pertence o Palacete das Artes -, e com a Fundação Pedro Calmon (FPC), entidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).
De acordo com Murilo Ribeiro, diretor do Palacete e curador da mostra, “esta exposição nunca foi tão oportuna para entendermos exatamente o ambiente na Bahia que proporcionou o florescer da Tropicália. Esse ambiente foi muito positivo, sobretudo pela importância do reitor Edgard Santos, da Universidade da Bahia, que, catalizador, trouxe figuras relevantes para a geração desse movimento”. O recorte da mostra reúne informações que servem para o conhecimento das novas gerações, detalha e conclui: “Todos estão convidados a embarcar nessa memória”. 
Vanguarda na Bahia - Uma das presenças na Bahia no período pré Tropicalista, o suíço Walter Smetak  é autor das Plásticas Sonoras, peças consideradas obras de arte por críticos e pesquisadores e que terão um recorte exibido ao público da exposição no Palacete. Instrumentos concebidos pelo “velho mago” foram um sopro de renovação na música da Bahia, influenciando uma geração de músicos e artistas, ao harmonizar referências populares, como cabaças, com elementos eruditos.Es
Partindo para experimentações sonoras e plásticas, o mestre da Escola de Música defendia ideias como a de que alguns instrumentos poderiam ser criados para domar o ego e unir as pessoas, a exemplo do “Pindorama”, que poderia ser tocado, ao mesmo tempo, por 28 pessoas. Smetak recebeu (in memoriam) a medalha da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.
Assim como Walter Smetak, a italiana Lina Bo Bardi integrou o grupo de artistas e intelectuais da vanguarda européia que veio residir na Bahia, no século passado, contribuindo para o dinamismo cultural do estado. Ela se mudou para Salvador no final dos anos 1950, assumindo a direção do Museu de Arte Moderna (MAM). Voltou seu olhar para a cultura do Nordeste brasileiro, iniciando uma coleção com objetos de madeira, utensílios de barro, pilões, imagens do catolicismo e objetos do candomblé.
Lina avaliava cada peça do seu acervo como um produto contemporâneo, uma obra de design, desconsiderando conceitos acadêmicos e europeus. No Palacete das Artes os visitantes conferem ex-votos, lamparinas, objetos de feiras e outras peças do recorte da coleção de 2 mil itens de Lina, que faz parte do acervo permanente do Centro Cultural Solar Ferrão/Dimus, do IPAC, assim como a coleção de Smetak.
Obras do acervo do MAM/Dimus também estão sendo cedidas para a mostra Tropicália: Régua e Compasso. Peças de Yanka Rudzka, Carybé, Juarez Paraíso, Lênio Braga, Jenner Augusto, Pierre Verger, além de fotos dos acervos de Lia e Silvio Robatto, integram a exposição.
Pesquisadora e uma das pioneiras da dança contemporânea na Bahia, Lia Robatto doou seu acervo e o de seu marido, o arquiteto, fotógrafo, roteirista e cineasta  Silvio Robatto, para o Centro de Memória da Bahia, unidade a Fundação Pedro Calmon. Peças deste acervo estarão na exposição montada no Palacete, refletindo não somente a linguagem dança e suas interfaces com o  teatro, mas também os costumes, modas, manifestações culturais e populares da época em foco.
SERVIÇO
TROPICÁLIA: RÉGUA E COMPASSO
Abertura da exposição: dia 8 de dezembro, quinta-feira, às 17h. Bate-papo com Tom Zé; visitação da exposição; apresentação de professores e alunos do Laboratório de Música do CFA da Funceb, capitaneados por Letieres Leite; apresentação especial de artistas "smetakeanos" (Tuzé de Abreu, Bárbara Smetak, Uibutú Smetak, Paulo Dourado, entre outros).
Programação até março, às terças, quartas e quintas-feiras sempre a partir das 17h:

A Sopa de Maria: Terças-feiras : 20/12, 10 e 24/01, 7 e 14/02, 14 e 28/03
Uma Ideia na Cabeça: todas as quarta-feiras até 30/03
Essa Noite se Improvisa: Quintas-feiras: 5 e 19/01, 09/02, 23 e 28/03
Seminário e lançamento de revista: dias 29 e 30/03

Nenhum comentário:

Postar um comentário