Lançamento de cópias limitadas acontece em Salvador e São Paulo, e oferece também versão digital e em CD
Capa - Vinil Sexteto do Beco
Passaram-se 35 anos desde que o único vinil do Sexteto do Beco,
grupo emblemático da música instrumental baiana, foi lançado e se tornou
referência fundamental de um rico período da música na Bahia. Esgotado
no mercado há muitas décadas e transformado
em objeto de desejo de artistas e colecionadores ao redor do mundo, o
disco “com os cata-ventos na capa” volta agora ao mercado fonográfico,
remasterizado em edição limitada nos formatos vinil e CD, além de ganhar
uma versão digital para download e um website
com a história do grupo. Em Salvador, o lançamento acontecerá no
próximo sábado (10), às 17h, no Museu de Arte Moderna da Bahia; em São
Paulo, acontece um dia antes (sexta-feira – 09/12) na Patuá Discos, a
partir das 18h.
O projeto de reedição do vinil Sexteto do Beco, viabilizado
através de Edital Setorial de Música da Secretaria de Cultura do Estado
da Bahia (SecultBA), é também uma homenagem à memória de dois de seus
fundadores: Sergio Souto e Thomas Gruetz, que, junto
com Aderbal Duarte, terceiro nome do tripé criador do grupo,
influenciou toda uma geração de músicos baianos.
Aderbal, inclusive, ao lado de Andrea Daltro e de outros músicos, será
um dos anfitriões da festa de lançamento em Salvador, que se estenderá
com um tributo prestado pelo projeto JAM no MAM, na mesma noite de 10 de
dezembro: A partir das 18h, a
jam session que acontece aos sábados na área externa do MAM-BA será dedicada ao
Sexteto do Beco, com a apresentação musical de notórios
representantes do “Sexteto” e a execução de pérolas do seu repertório
autoral, pela Banda JAM no MAM.
Será também durante os lançamentos em São Paulo e em Salvador, que conta
com parceria do selo pernambucano Assustado Discos, que o público terá
contato em primeira mão com o LP remasterizado em vinil 180 gramas (são
poucas cópias disponíveis) ou, no caso de
Salvador, também com o CD – este, trazendo três composições inéditas de
Sergio Souto gravadas pelo Sexteto, que integram o disco como
bonus track.
Posteriormente, o LP poderá ser encomendado através do e-mail
assustadodiscos@gmail.com ou da página do selo no Facebook:
@AssustadoDiscos. Já informações sobre a história do Sexteto do Beco
poderão ser acessadas através do site
www.sextetodobeco.com.br ou na página do Facebook localizada por @sextetodobeco.
“Durante nossa produção musical, descobrimos que a estrutura harmônica
de nossas músicas, com bastante influência da bossa nova, era muito mais
rebuscada harmonicamente que os Standards do jazz. Improvisar em cima
dessas harmonias, notadamente além de nossas
capacidades técnicas, era um verdadeiro desafio.” – Aderbal Duarte,
músico e compositor.
A música do “Sexteto” nasceu com a proposta de criar um som instrumental
que utilizasse elementos da cultura musical popular, numa linguagem
universal. A abordagem e sonoridade inovadoras criadas por seus
integrantes transformou o grupo em um importante laboratório
para investigações na área do arranjo, composição e improvisação.
Durante o período de sua existência, foi um aglutinador e catalisador de
pesquisas, estudos e práticas para músicos atuantes no cenário baiano.
Mas o único registro fonográfico do grupo, o LP
Sexteto do Beco, lançado em 1981, esgotou-se em pouco tempo e a
nova geração de artistas da cena instrumental baiana teve (até agora) o
acesso dificultado a seu histórico, suas músicas, fotos e registros
jornalísticos.
Daí a ideia de reeditar o vinil e lançar o website, o CD e a sua versão
digital, capitaneada por Sergio Souto, um dos três fundadores do grupo.
Com o falecimento de Sergio em 2014, sua família ficou à frente do
projeto, que chega agora ao público como uma nova
oportunidade de vivenciar a riqueza sonora e a qualidade das
composições, dos arranjos, improvisos e interpretações que transformaram
o disco numa raridade almejada por colecionadores e musicistas
interessados na produção musical gerada a partir de um período
de forte ebulição criativa da Escola de Música da UFBA – com a
convivência e troca entre jovens artistas e professores/musicistas/ compositores do calibre de Ernst Widmer, Walter Smetak, Paulo Gondim e Lindembergue Cardoso, entre outros.
“Nascido a partir da Banda do Companheiro Mágico (década de 1970), o
Sexteto do Beco (década de 1980) continuou trazendo a essência da música
instrumental para Salvador. Vivíamos, respirávamos música durante
horas, enquanto mergulhávamos nos ensaios. O Sexteto
trouxe a todos os que tocaram, cantaram, assistiram, uma sensação de
beleza intensa. Fomos apaixonados por muitos anos. E muitos continuam
apaixonados até hoje.” – Andrea Daltro, cantora.
A origem do Sexteto do Beco vem da primeira metade da década de 1970 em Salvador, a partir de um núcleo formado por Aderbal Duarte (violonista,
compositor e arranjador), Sergio Souto (flautista, saxofonista,
regente, arranjador
e compositor) e Thomas Gruetz (violonista, arranjador e compositor). Em
1976, com a adesão de Antônio Sarkis, Marco Esteves e Oscar Dourado,
colegas da Escola de Música da UFBA, o trio inicial – de dois violões e flauta – ganhou voz, sax soprano e contrabaixo
acústico, por uma necessidade de experimentar novas combinações timbrísticas e diversificar as orquestrações.
Mas não parou por
aí; para muito além do seu núcleo fundador, o “Seiscentos do Beco”, como
chegou a ser carinhosamente chamado pelos amigos, deu o pontapé inicial
à proposta de um coletivo que sempre incluía novos músicos à sua
formação.
O Sexteto do Beco chegou a contar com 19 músicos
interpretando seu repertório autoral, numa
big band com sonoridade grande e diversa, arranjos rebuscados,
harmonicamente elaborados e ritmicamente sofisticados. Mais de quarenta
instrumentistas e cantores fizeram parte do grupo em alguma das suas
gravações e apresentações. São artistas como Anunciação,
Fred Dantas, Paulinho Andrade, Tuzé de Abreu, Gerson Barbosa, Guimo
Mygoia, Zeca Freitas, Kity Canário, Andrea Daltro, Veléu Cerqueira,
Rowney Scott, Ivan Bastos e Ivan Huol, todos importantes agentes
fortalecedores da música instrumental
made in Bahia.
Nessa época, eram os
becos, ruelas, garagens e pequenos espaços da capital baiana que
serviam de abrigo para a experimentação musical independente. Era um
cenário vazio de recursos e intenso em liberdade criativa. Reunindo-se
num
beco em Pituaçu (vem daí a origem do nome) em inspiradas jam sessions,
a turma do “Sexteto” começou a construir sua história, que marcava uma
séria ruptura entre o ensino musical acadêmico da Bahia – baseado nos
valores da música erudita europeia e
na influência dos ícones da musicalidade estadunidense – e a afirmação, no sentido progressivo, das raízes da música instrumental brasileira.
O grupo cresceu, mas
não parou de desenvolver, simultaneamente, espaços para pesquisa,
composição e aprimoramento técnico instrumental. Com um naipe de
sopros pouco usual, composto de quatro flautas, três saxofones, um
trompete
e um trombone, além da voz soprano de Andreia Daltro, também tratada
como instrumento, ele firmou-se com uma sonoridade diferente, própria do
grupo, expressada através de composições feitas em função deste
instrumental.
Entre jam sessions e shows no Teatro Castro Alves, pátio e Teatro do ICBA (Goethe-Institut Salvador), MAM-BA e Teatro Vila Velha, o
Sexteto do Beco abriu caminho para outros grupos instrumentais
baianos – Garagem, Tríade, Operanóia etc. – e se tornou umas das maiores
referências musicais da Bahia contemporânea (hoje com repercussão
internacional).
FICHA TÉCNICA (REEDIÇÃO)
Idealização: Sergio Souto (in memorian)
Coordenação artística: Daniel Rangel e Beth Rangel
Produção musical: André Rangel e Gilberto Monte
Coordenação de produção: Gisele Nussbaumer e Gilberto Monte
Assessoria de Pesquisa: Aderbal Duarte
Gestão financeira e mobilização de redes sociais: Diogo Souto
Design: Dandara Almeida
Remasterização: Carlos Freitas, realizada no estúdio Classic Master (São Paulo/SP)
LANÇAMENTO SEXTETO DO BECO EM SALVADOR
Data: Sábado, dia 10 de dezembro de 2016.
Local: Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador (Av. Contorno, s/n).
Horários: 17h (lançamento para convidados do LP remasterizado +
CD + Website) e 18h (JAM no MAM especial com participação de Aderbal
Duarte e Andrea Daltro).
Ingresso: Os ingressos para a JAM no MAM custam R$ 8,00 (inteira)
e R$ 4,00 (meia); o acesso dos convidados para ao lançamento, às 17h,
será livre.
LANÇAMENTO SEXTETO DO BECO EM SÃO PAULO
Data: Sexta, dia 09 de dezembro de 2016.
Local: Patuá Discos – R. Fidalga 516, Vila Madalena, São Paulo.
Horário: Das 18h às 22h. Lançamento conjunto dos LPs "Sexteto do
Beco", "Velha Guarda 22" (Mamelo Sound System) e "Coleção Nacional"
(Instituto).
Discotecagem: Dvyzor, Rodrigo Brandão + DJs Patuá.

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