terça-feira, 18 de abril de 2017

NATA realiza festa para lançamento do projeto OROAFROBUMERANGUE

Foto: Andrea Magnoni.
Evento ocorrerá no dia 03 de maio, na Casarão do Lord (Pelourinho). As ações do projeto ocorrerão até final de 2018 e culminarão na montagem do espetáculo Oxum


É na encruzilhada entre a Rua São Miguel e a Rua Maciel de Baixo, especificamente no Casarão do Lord, que o Núcleo Afro Brasileiro de Teatro de Alagoinhas – NATA, selecionado pelo edital de Apoio a Grupos e Coletivos Culturais 2016, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, lançará o projeto OROAFROBUMERANGUE, num encontro cênico-musical com a participação de vários artistas que já passaram pelos caminhos percorridos pelo grupo. A AfroJAM, que contará ainda com muitas intervenções artísticas, ocorrerá a partir das 19h, do dia 03 de maio.
Com o projeto OROAFROBUMERANGUE, o NATA busca aprofundar seus conhecimentos artísticos, políticos, culturais e estéticos. “Queremos também fortalecer o cenário teatral alagoinhense. Desejamos acender o profícuo intercâmbio entre a capital e o interior e os referenciais identitários negros. Discutiremos ainda o feminino como paradigma para repensar a sociedade”, explica a diretora Fernanda Júlia Onisajé.
A palavra Oro vem do yorubá e quer dizer diálogo. “No nosso caso, uma conversa com a ancestralidade africana e contemporânea. Bumerangue pelo retorno das ações do grupo a sua cidade natal e a troca com os artistas de Alagoinhas de tudo que aprendemos nesses anos de estrada”, descreve Onisajé.
Serão realizadas oficinas para comunidade de Alagoinhas, duas edições do IPADÊ – Fórum NATA de Africanidade (Alagoinhas e Salvador), apresentações de Exu – A Boca do Universo (Salvador), temporadas do projeto Natas em Solos - Seis Olhares Sobre o Mundo (Alagoinhas e Salvador), a manutenção e a montagem do novo espetáculo Oxum.
“Teremos ainda nas duas cidades a realização do Sarau Noites Afro-Poéticas. Tudo que produzirmos em 2017 e 2018 vai reverberar na montagem de Oxum, com previsão de estreia em outubro do ano que vem”, ressalta Susan Kalik, que é diretora da Modupé Produtora, empresa responsável pela produção do NATA.
No dia seguinte a AfroJAM, 04 de maio, o NATA retorna em curta temporada com Exu – A Boca do Universo, até 07 de maio, às 20h, no Teatro Gregório de Matos. Primeira grande ação pública do projeto OROAFROBUMERANGUE. O espetáculo, que já rodou mais de 30 cidades brasileiras pelo Palco Giratório do Sesc 2015 e levou o grupo a reconhecimento nacional, traz cinco qualidades/características dentro do universo que é esta divindade e alguns itan – palavra em ioruba que significa lendas, histórias e mitos.
Espetáculo
A montagem narra sem compromisso cronológico momentos em que Exu se mostra diferente daquilo que tanto se pregou na cultura ocidental e o apresenta como celebrador da vida e da comunicação. Um ato de desmistificação, a dramaturgia lírica-narrativa de Daniel Arcades – que também está em cena no espetáculo - apresenta Yangui, o primeiro indivíduo a ser criado por Olodumare – o grande Deus, pois Exu é o primeiro de todos os indivíduos que habitam o Aiyê.
Assistimos Exu Enugbarijô, o grande comunicador e que está ligado aos prazeres obtidos através da oralidade. Traz a famosa alusão sexual deste orixá, Exu Legbá, que também representa o poder, a liberdade e a sexualidade. Onisajé nos antecipou que Exu é o orixá de rotação e translação, este é Exu Bará, aquele que rege os movimentos do corpo, que está dentro dos seres vivos.
Possivelmente, Exu é dentro de todos os orixás o que mais sofre de intolerância religiosa, por isso, através de um longo processo de pesquisa Arcades e Onisajê chegaram ao babalorixá Rychelmy Imbiriba, do Ilê Axé Ojissé Olodumare, filho de Exu, que dentro de inúmeros itan contou a respeito do amor de Exu por Oxum. “Como pode ser do mal alguém que ama?”, questiona Onisajé. Fruto desse amor nasce Oseturá, o Exu mais novo, também presente no espetáculo do NATA.
Alagoinhas
Após a temporada de Exu – A Boca do Universo, em Salvador, o NATA inicia as atividades de intercâmbio com artistas e interessados do município de Alagoinhas e região. A primeira ação será o Sarau Noite Afro-Poética, no dia 26 de maio. Logo depois, num período de dois meses (junho e julho), o grupo realizará diversas oficinas (dança, preparação de atores, produção teatral, iluminação, dramaturgia e percussão para mulheres).
Logo depois, em agosto, o Núcleo leva o projeto NATAS em SOLOS, resultado das pesquisas cênicas individuais dos atores do grupo. São eles: As balas que não dei ao meu filho (Antonio Marcelo); Impopstor (Daniel Arcades); Rosas Negras (Fabíola Júlia); Oruko (Nando Zâmbia); Iya Ilu (Sanara Rocha) e Mundaréu (Thiago Romero).
No mesmo mês, ocorre o IV IPADÊ – Fórum NATA de Africanidade com o tema Alagoinhas das Águas Femininas – uma homenagem a Auristela Sá, que será realizado no Ilê Axé Oyá L’adê Inan. “Ambicionamos levar para o interior do estado o debate das questões que permeiam o universo negro e afro-brasileiro. Seguindo o foco de estudo do grupo durante este processo de manutenção e criação, a questão central será sobre o Feminino, o Feminismo e o Feminismo negro”, explica Onisajé.
O projeto OROAFROBUMERANGUE encerra as atividades em 2017 com uma temporada de três meses do NATAS em SOLOS, em Salvador. Já em 2018, o grupo retorna depois de mais de três anos com o espetáculo Sire Obá, com quatro apresentações no mês de janeiro.
Oxum
Os dois anos de atividades de manutenção, formação, criação, difusão e interatividade cênica do projeto desembocarão no processo de concepção, montagem e apresentação do novo espetáculo do NATA: Oxum. Serão realizadas cinco oficinas técnicas e teóricas exclusivas para os integrantes do Núcleo – com Vilma Reis (Feminismo e Feminismo Negro); Jarbas Bittencourt (Música); Zebrinha (Corpo Operístico); Donna Liu (Voz), Nive Vieira (Percussão) -, que sustentarão a linha poética do Núcleo e a pesquisa cênica para a construção da nova montagem.
“Queremos trazer a concepção do feminismo para além do ser mulher. Oxum, assim como as demais yabás, é arquétipo do feminino. Esta montagem pretende apresentar aos espectadores a filosofia ancestral presente na mitologia desta divindade e, a partir dela, propor reflexões e problematizações acerca da importância do feminino como paradigma para repensarmos a sociedade”, descreve Onisajé.
A dramaturgia focará características sobre Oxum ainda desconhecidas do grande público, sete qualidades que pertencentes a esta divindade: Oxum Okê (caçadora); Oxum Apará (poder da transformação); Oxum Yapondá (fortalecedora da mente); Oxum Ijimu (ligada aos ancestrais); Oxum Iyá Bòtò (a essência do feminino, sua origem); Oxum Karê (ligada ao amor e aos relacionamentos); e Oxum Ominibu - a mais velha e a que lutou pelo empoderamento da mulher na hierarquia do axé.
“O projeto OROAFROBUMERANGUE nasce no intuito de nutrir a pesquisa do grupo e representa também o amadurecimento do nosso discurso. Depois de rodarmos o Brasil com o Palco Giratório, ficamos em curta temporada com os solos. Com isso, o projeto também representa o nosso retorno para Salvador e Alagoinhas”, finaliza Onisajé.

Serviço
O quê: AfroJAM – lançamento do projeto OROAFROBUMERANGUE
Onde: Casarão do Lord – Rua São Miguel, Pelourinho
Quando: 03 de maio, a partir das 19h
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