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31/05/2011

Palhaço Economia é homenageado com filme na Sala Walter da Silveira



Artista falecido no último dia 20 de maio é protagonista do documentário “A Volta do Palhaço”.

Na programação da semana da Sala Walter da Silveira, está reservado um momento especial para homenagear o Palhaço Economia, artista circense falecido no último dia 20 de maio.

Na próxima sexta-feira, 3 de junho, às 19 horas, será exibido o documentário “A Volta do Palhaço”, dirigido por Paula Gomes e produzido pela Plano 3 Filmes, em que se promove o retorno de Economia – cujo nome de batismo é Milson Laborda Serrão – a um pequeno circo no interior da Bahia, após uma temporada na capital. A sessão de cinema tem entrada gratuita.

O Palhaço Economia nunca precisou fazer muito esforço para chamar a atenção: além de anão, também era saltador. No picadeiro, fez parcerias com grandes palhaços brasileiros, como Carequinha, Paradinha, Miúdo e Cadilac.

Trabalhou em circos de grande porte, como o Circo Garcia, o Washington Circus, o Gran Circo Bartholo e o Circo Portugal. Mas foi na Bahia que ele viveu grande parte de sua vida.

Em pequenos circos itinerantes, dividiu o picadeiro com o filho – o palhaço Bimbolinho – e os netos – os palhaços Real, Centavo e Porpeta. Em 2009, foi contemplado no Prêmio Funarte com o espetáculo “Palhaço Economia de Volta aos Picadeiros”.

No cinema, participou de curtas de ficção, como “Noite de Marionetes” e “Show de Horrores”. Também teve sua vida documentada nos projetos “A Volta do Palhaço” e “Profissão: Palhaço”, contemplado no Programa DOCTV IV. Em 2007, foi homenageado no SESC Pelourinho, em Salvador, pelos seus 50 anos de atividade como palhaço.

Doutor em Teatro, o professor Daniel Marques, da Universidade Federal da Bahia, que recentemente assinou artigo sobre a carreira de Economia, afirma em carta aberta de pesar: “Pude trabalhar com Economia e constatei seu enorme conhecimento da teatralidade circense.

Assim, com sua morte, é uma biblioteca que se fecha, um acervo que vai embora, desvanecendo aos poucos em nossa memória. Mas, como todo bom circense, este acervo foi cuidadosamente preservado por meio de seus filhos, netos e nora (...). Generoso que era, também transmitiu seu legado e sua herança a todos os jovens artistas que dele se aproximavam”.

A Sala Walter da Silveira é administrada pela Diretoria de Audiovisual (DIMAS) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

FICHA TÉCNICA “A Volta do Palhaço”
DIREÇÃO: Paula Gomes
DIRETOR ASSISTENTE: Ernesto Molinero
PRODUÇÃO e ARTE: Marcos Bautista
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Haroldo Borges
TÉCNICA DE SOM: Simone Dourado
STILL: Ricardo Sena

SERVIÇO:

O quê: Exibição do filme “A Volta do Palhaço”, em homenagem ao Palhaço Economia
Quando: 3/6 (sexta-feira), 19 horas
Onde: Sala Walter da Silveira (Rua General Labatut, 27, Barris – Salvador – BA)
Quanto: Gratuito

24/03/2011

UCI Orient recebe a pré-estreia do filme As Mães de Chico Xavier



A rede UCI Orient traz amanhã (25) para Salvador a pré-estreia do filme As Mães de Chico Xavier (As Mães de Chico Xavier, Brasil, 2011) que acontecerá no UCI Orient Iguatemi, às 21 horas. A avant-première contará com a presença do diretor Glauber Filho, do produtor Luís Eduardo Girão e das atrizes Neuza Borges e Via Negromonte.

Hoje (24), o filme abre o I Festival de Cinema Transcendental, em Brasília, reafirmando a presença do gênero na cena da produção audiovisual do Brasil. A estreia nacional está marcada para 1º de abril, quando o longa entra em cartaz em 400 salas de cinema, superando a expectativa inicial de 250.

As Mães de Chico Xavier - Junto com Chico Xavier - O Filme (Chico Xavier, Brasil, 2010) e Nosso Lar (Nosso Lar, Brasil, 2010), As Mães de Chico Xavier fecha a trilogia em homenagem ao centenário do respeitado médium que teve a vida marcada pela caridade, sendo exemplo de doação e seguido por muitos.

O roteiro traz a história de Ruth (Via Negromonte), cujo filho adolescente enfrenta problemas com drogas; Elisa (Vanessa Gerbelli), que tenta suprir a ausência do marido dando total atenção ao filho, o pequeno Theo (Gabriel Pontes); e Lara (Tainá Muller), professora que enfrenta o dilema de uma gravidez não planejada.

A produção, que tem direção assinada por Glauber Filho e Halder Gomes, apresenta ainda o ator Nelson Xavier, que revive o papel de Chico, Herson Capri, que interpreta Mário, marido de Ruth, Caio Blat, vivendo um jornalista que quer investigar o médium, e Neuza Borges, a cuidadosa governanta de Elisa.

Ficha Técnica:

As Mães de Chico Xavier (ficção, longa-metragem, 35mm)

Direção: Glauber Filho e Halder Gomes

Produtor: Luis Eduardo Girão

Produtor-Executivo: Sidney Girão e Leonardo Leal

Produtor Associado: Gerson Sanginitto e Ric Halpern

Trilha Sonora: Flavio Venturine

Direção de Arte: Fábio Vasconcelos

Diretor de Fotografia: Carina Sanginitto

Diretora de Produção: Dayane Queiroz

Efeitos Especiais: Marcio Ramos

Produção Executiva: Amaury Candido e Flavio Ferreira

Som Direto: Alfredo Guerra

Produção: Estação Luz Filmes

Co-produção: ATC Entretenimento, Lighthouse e Associação Estação da Luz

05/02/2011

RESTART DÁ COLETIVA DE IMPRENSA E DIZ QUE FARÁ FILME EM 2011



Restart acabou de sair do palco 2011 e deu entrevista coletiva na sala de imprensa Saul Barbosa.

A banda disse que terá muitas novidades em 2011 e que fará um filme, mas não deram muitas explicações.

A homenagem ao Olodum na camisa de um dos integrantes foi um dos pontos altos do show, além das clássicas calças coloridas e quase no joelho.

17/12/2010

Leão de Sete Cabeças (1970), filme afro de Glauber Rocha, é exibido em Salvador

Filmada na África, obra prima será exibida no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, dia 20/12, às 21h, para convidados e com lugares disponíveis até a lotação da sala. Às 20h acontece o lançamento do DVD duplo com o processo de restauração do filme, além de Box Comemorativo dos “100 anos de Cinema na Bahia” e anúncio da restauração de mais dois clássicos baianos.

Depois de ser apresentado no 43ª edição do Festival de Cinema de Brasilia, Salvador poderá ver pela primeia vez a cópia restaurada de “O Leão de Sete Cabeças”, filme dirigido por Glauber Rocha.

Guardado durante 30 anos na Cineteca Nazionale di Roma, a primeira produção de Glauber Rocha fora do Brasil será exibida em sessão especial para convidados e lugares disponiveis até lotação da sala no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, na Praça Castro Alves. A exibição acontece na próxima segunda-feira, 20/12, às 21h.

Antes, às 20h, o ministro de Estado da Cultura, Juca Ferreira e o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, fazem a abertura oficial da exibição, com o lançamento dos DVDs do “Leão de Sete Cabeças”, além do Box Comemorativo dos “100 anos de Cinema na Bahia” com 30 filmes baianos, além da assinatura do Termo de Acordo e Compromisso que vai garantir a restauração de duas obras baianas: “A Lenda de Ubirajara” (1975) de André Luiz Oliveira e “A Grande Feira” (1961) de Roberto Pires.

A restauração do “Leão de Sete Cabeças” faz parte da segunda fase do projeto Coleção Glauber Rocha, que, na primeira, já restaurou os filmes Barravento, Terra em Transe, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro e A Idade da Terra. Em Salvador, o filme será exibido no dia 21/12, às 21h, no Cine Glauber Rocha.

A iniciativa é uma realização do Tempo Glauber e da filha do cineasta, Paloma Rocha, e tem o aporte financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, através da Secretaria de Cultura, e contou com o apoio da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV), da Cinemateca Brasileira e da Cineteca Nazionale di Roma. O projeto também abarca as restaurações dos filmes Cabeças Cortadas, Claro, Câncer e História do Brasil.

O secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, que esteve em Brasília na primeira exibição da cópia restaurada, comemorou. “Neste ano de 2010, celebramos 100 anos de cinema. Vimos investindo na preservação de nossa memória audiovisual. Além desse filme de Glauber, apoiamos o restauro do primeiro longa-metragem baiano, Redenção, de Roberto Pires, por quem Glauber tinha grande deferência. Estamos apoiando também com recursos do Fundo de Cultura da Bahia, a restauração de parte do acervo de Alexandre Robatto Filho, pioneiro do cinema baiano. São ações pontuais, mas que integram um programa de preservação do patrimônio audiovisual da Bahia”.

A história da restauração de Leão
O original do filme do filme foi repatriado da Itália para o Brasil em 2009, quando a parceria entre Tempo Glauber, Cinemateca Brasileira, ABCV e Cineteca Nazionale di Roma foi formalizada, com incentivo da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A restauração consistiu primeiramente no escaneamento no formato 4K e o restauro digital em 2K realizado pelos Estúdios Mega.

O processo possibilitou a confecção de uma nova matriz, em alta definição, e um novo negativo em 35mm. A versão original do áudio em vários idiomas foi recuperada a partir de uma única cópia 35mm - que estava em avançado estado de deterioração - e de fitas Umatic. O restauro foi executado pela JLS Facilidades Sonoras.

O filme

O cenário de Leão de Sete Cabeças é o Congo Brazaville de 1969. Vivendo no exílio imposto pela ditadura militar brasileira, o cineasta baiano Glauber Rocha, principal nome do Cinema Novo, expõe neste filme o colonialismo europeu que domina a África a as tentativas do povo nativo em se libertar desse domínio. Assim Glauber continuou retratando as mazelas que tanto afligem os países pobres e fez disso marca da sua obra cinematográfica.

Quando Leão de Sete Cabeças estava sendo produzido, os críticos acreditavam que Glauber deveria filmar apenas paisagens em seu próprio país. Mas, quando o filme foi concluído, viram que o argumento se mostrou falho. O longa demonstrou perfeita integração com a evolução estética glauberiana, embasada na linguagem visual e cênica de uma espécie de “pan-terceiromundismo”, e apresentou personagens arquétipos, todos com algum tipo de poder.

De um lado, os pilares do imperialismo - invasores europeus e norte-americanos, além da Igreja e seu eterno cortejo ao poder. A elite local era um fantoche denominado e coroado presidente. Do outro, os revolucionários locais, contraditórios em suas lutas e indecisos entre a centralização do movimento e a manutenção do sentimento tribal, mesmo em busca de um objetivo em comum: a liberdade perante o colonialismo estrangeiro.

Mais que denunciar as injustiças existentes no continente africano, Glauber apresentou dados para que a consolidassem como estados soberanos. Para a professora de Cinema e ensaísta da UFRJ, Ivana Bentes, “o que Glauber parece dizer é que nenhuma explicação histórica, sociológica, marxista ou capitalista, pode dar conta da complexidade e tragédia da experiência da pobreza”, constata.

Glauber imaginou o filme como uma epopéia africana, pensando-a como ponto de vista do homem do Terceiro Mundo, se opondo aos filmes comerciais que tratavam de safáris, ao modelo de concepção dos brancos em relação àquele continente. Para ele, trata-se de uma teoria sobre a possibilidade de um cinema político, feito na África justamente porque o cineasta acreditava ser o lugar que possuía os mesmos problemas do Brasil.

Ele complementa esse pensamento declarando sua aversão à leitura sociológica da miséria feita pela esquerda, visto no manifesto Estetyka do Sonho, escrito em duas versões (1966 e 1971), e que bebe nas fontes dos seus filmes realizados nesse período. Neste texto ele relata sua impotência e perplexidade perante as ditaduras militares, a fragilidade de intelectuais, artistas e militantes em combatê-las, além da acomodação popular que resulta nessa tragédia.

Glauber acredita que para superá-la é preciso seguir pelo caminho dos sonhos do cinema, provocando distúrbios nos códigos (sociais, políticos, estéticos, de comportamento), algo que já vinha sendo explorado em sua obra. Para alguns autores, Leão de Sete Cabeças pode ser visto como o elo perdido entre Terra em Transe e A Idade da Terra, a chave do enigma que liga a primeira parte da carreira de Glauber (os anos 60) com a segunda (de 1970 a 1980).

Preservação da obra de Glauber Rocha

Um dos objetivos da restauração de Leão de Sete Cabeças é dar continuidade à disseminação da obra de Glauber Rocha em alta qualidade, já que há grande aumento na demanda pelos filmes do cineasta, tanto nas escolas de cinema, quanto nos festivais nacionais e internacionais, e, por fim, para uso de trechos em documentários.

Todos querem assistir à obra de Glauber, em bom ou mal estado, mas isso tem obrigado os detentores das cópias não restauradas a fornecer material de má qualidade, incompleto e deteriorado, o que causa constrangimento e não divulga a sua obra como deveria. A partir de 2003, com o advento da Coleção Glauber Rocha, esta realidade começou a mudar.

As cópias restauradas em formato de cinema digital, DVD e película de 35mm permitem que os filmes sejam distribuídos para mostras nacionais e internacionais, além da exibição em salas de cinema comerciais, universidades e outros espaços onde a obra de Glauber tem um alcance bastante significativo. O filme Terra em Transe, por exemplo, após a restauração, atingiu a marca de 10 mil espectadores nas salas de cinema, em apenas duas semanas em cartaz.

Extras do DVD

Os DVD’s contêm documentários especialmente realizados sobre cada filme, dirigidos por Paloma Rocha e Joel Pizzini. Neles estão reunidas entrevistas com elenco e equipe, cenas de arquivo, entrevistas inéditas com Glauber Rocha, o trailer original, artigos e reportagens, análise crítica feita por especialistas, versões de roteiros, roteiros, cartazes, trilha sonora, desenhos e story-board, tudo o que compreende o processo de criação e de produção intelectual do artista.

O patrimônio histórico e cinematográfico de Glauber reunido e vivo

O próprio Glauber, em 1980, escreveu uma carta preocupado com a recuperação dos negativos originais destes filmes. O documento foi editado e utilizado na apresentação do projeto, que ainda relata a necessidade da atenção e dos cuidados urgentes com os negativos originais para que seu processo de deterioração, já avançado, não acabe por prejudicar de modo irreparável a história do cinema brasileiro, no caso da perda definitiva de algum filme.

Glauber revolucionou a linguagem do cinema contemporâneo. Sua expressão artística influenciou movimentos políticos e culturais dos anos 60 como "Maio de 68" na França e o "Tropicalismo" no Brasil, entre outros, deixando um precioso legado de idéias e criações, impressas em filmes, vídeos, livros e uma extensa produção que ainda hoje permanece inédita – poemas, desenhos, peças de teatro, romances, roteiros de filmes não realizados.

E é todo esse conteúdo inestimável que precisa continuar vivo, e com a restauração, poderá ser conhecido pelas gerações futuras. Como disse o Secretário de Cultura da Bahia Márcio Meirelles: “Glauber continua vivo, um pensamento vivo, em ebulição. Um pensamento inesgotável, perturbador, ainda pouco compreendido no Brasil e no mundo.”


Ficha técnica

O Leão de Sete Cabeças
Direção: Glauber Rocha
Elenco: Rada Rassimov, Jean-Pierre Léaud, Giulio Brogi, Hugo Carvana, Gabrielle Tinti, René Koldhoffer, Baiack, Miguel Samba, André Segolo, Aldo Bixio, povo e dançarinos do Congo
Dedicatória: a Paulo Emilio Sales Gomes
Companhia produtora: Polifilm
Produtores: Gianni Barcelloni e Claude Antoine
Diretor de produção: Giancarlo Santi
Gerente de produção: Marco Ferreri
Assistente de direção: André Gouveia
Argumentistas e roteiristas: Gianni Amico e Glauber Rocha
Diretor de fotografia: Guido Cosulich
Som direto: José Antônio Ventura
Montadores: Eduardo Escorel e Glauber Rocha
Letreiros: Francesco Altan
Música: Folclore africano, Baden Powell e uma versão do Hino Nacional francês cantada por Clementina de Jesus
Locações: Brazzaville (Congo)

Equipe de restauro
Direção do projeto: Paloma Rocha
Curadoria e pesquisa: Joel Pizzini
Direção de produção: Márcia Cardim
Direção de fotografia: Luis Abramo
Assistente de direção: Sara Rocha
Restauração de imagem Mega e
Restauração de Imagem Mega e Som: Cinemateca Brasileira, Estúdios Mega e JLS Facilidades Sonoras
Apoio Financeiro: Fundo de Cultura da Bahia, Governo da Bahia e Secretaria Estadual de Fazenda e Cultura
Realização: Paloma Cinematográfica, Cardim Projetos e Soluções Integradas e Associação Baiana de Cinema e Vídeo - ABCV
Apoio: Associação dos Amigos do Tempo Glauber e Comunika Press


Serviço
Exibição do filme restaurado "O Leão de Sete Cabeças" e lançamento do DVD duplo do filme no Cine Glauber Rocha em Salvador, lançamento do Box Comemorativo dos “100 anos de Cinema Baiano”.
Onde: Cine Glauber Rocha – Praça Castro Alves, em Salvador-BA
Quando: 20/12/2010
Horário: 20h (para convidados e lotação sujeita à capacidade da sala)

01/09/2010

Nosso Lar estreia nesta sexta, 03, no UCI Orient Iguatemi e Paralela



Exibições fechadas do filme para grupos têm lotado salas da rede

Filme nacional mais caro da história, orçado em U$ 10 milhões, o longa-metragem Nosso Lar estreia nesta sexta-feira, 03 de setembro, nas salas do UCI Orient Iguatemi e UCI Orient Paralela. Baseado em célebre livro homônimo psicografado pelo médium Chico Xavier em 1944, clássico da literatura espírita nacional, o filme entra no rol de produções audiovisuais que, com cada vez mais freqüência, abordam temas espíritas.

A expectativa em torno do filme é grande, sendo significativa sua divulgação nas redes sociais. Somente no Youtube, a curiosidade dos espectadores registra 450 mil exibições, sendo 322 mil só no trailer oficial. No Facebook, 10.400 seguidores também divulgam a produção. De acordo com a gerente de marketing da rede Orient Cinemas, Hilmara Oliveira, é grande a procura por sessões de cinema fechadas pelos centros espíritas, um indicativo do interesse do público pelo longa-metragem. A expectativa da rede é superar o número de exibições do filme Bezerra de Menezes que, no período de exibição da película, foram mais de 40. “Já tivemos duas sessões fechadas para Nosso Lar e já estão programadas outras oito, sendo que o filme ainda não estreou”, diz.

Nosso Lar narra as impressões do médico André Luiz ao chegar à colônia espiritual de mesmo nome, após sua morte. Ao abrir os olhos, ele sabe que não está mais vivo. Embora sinta fome, sede, frio, André percebe que não pertence mais ao mundo dos encarnados. As dúvidas e as dores se intensificam até ele ser acolhido na cidade do mesmo nome do título, onde interage com espíritos de luz e observa suas práticas de cura. O elenco conta com Renato Prieto (André Luiz), Othon Bastos, Rosanne Mulholland, Fernando Alves Pinto, Inez Viana, Rodrigo dos Santos e Clemente Viscaíno, além de participações especiais de Paulo Goulart, Ana Rosa e Werner Schünemann.

Sucesso - Antes de “Nosso Lar” outras duas produções sinalizaram que o tema da vida após a morte é um excelente filão para o cinema nacional. “Bezerra de Menezes – o Diário de um Espírito”, de Glauber Filho, alcançou um público bem acima da expectativa dos realizadores, e “Chico Xavier, o Filme”, de Daniel Filho, que foi assistido por 3,4 milhões de pessoas, sendo o campeão de bilheteria do ano.

Com relação às produções estrangeiras, o grande filme espírita que conquistou o mundo foi Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990). Ghost venceu o Oscar de 1991 nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Whoopi Goldberg) e Melhor Roteiro Original. Outras películas que merecem destaque são Sexto Sentido (1999), A Casa dos Espíritos (1993), Minha Vida na Outra Vida (2000), Os Outros (2001) e O mistério da Libélula (2002).

03/08/2010

Com material exclusivo, entra no ar novo site do filme “Nosso Lar”

o LONGA TAMBÉM ESTÁ PRESENTE EM CANAIS DE INTERAÇÃO RÁPIDA COM O PÚBLICO NA INTERNET: TWITTER, FACEBOOK, ORKUT, MY SPACE, FLICKR E YOU TUBE

O filme “Nosso Lar”, baseado no livro homônimo de Chico Xavier e dirigido por Wagner de Assis, coloca no ar hoje seu novo site com muitas novidades. O portal - www.nossolarofilme.com.br - oferece um tour virtual pela colônia Nosso Lar, explicando as funções dos seis Ministérios existentes e da Governadoria. Os internautas podem também testar seus conhecimentos sobre a cidade espiritual, respondendo às perguntas do quiz, que inclui “Onde se localiza a cidade de Nosso Lar?”. Estão disponíveis também fotos do elenco, sinopse do filme, vídeos de bastidores, depoimento do diretor, além de downloads de wallpapers exclusivos.

“Nosso Lar” está nas principais redes sociais e todas as páginas oficiais estão interligadas ao site, o que facilita o acesso às contas do Twitter, Orkut, Facebook, My Space, FlickR e You Tube. Nelas, os internautas encontram fotos do making of, trailers, novidades sobre promoções, informações da trilha sonora e histórias dos personagens. O trailer do filme já teve mais de 500 mil acessos na internet.

Produzido pela Cinética Filmes, em coprodução com a Migdal Filmes e com a Globo Filmes, o filme estreia no dia 3 de setembro. A distribuição é da Fox Film do Brasil.

Redes sociais de “Nosso Lar”

O Twitter do filme (twitter.com/NossoLarOFilme) traz informações inéditas aos seguidores, comunica o que já foi publicado na imprensa sobre essa aguardada estreia e, em breve, irá realizar promoções do filme através do microblog.

Notas de produção e fotos de bastidores recheiam a galeria do filme no FlickR (www.flickr.com/photos/nossolarofilmeoficial). Já no My Space (Nosso Lar - O Filme (Oficial)), e no You Tube (NOSSO LAR - O Filme) são divulgados vídeos, entrevistas e trailer.

Na página do Facebook e do Orkut (Nosso Lar - O Filme (Oficial)) há espaço para a troca de informações e impressões entre as pessoas que leram o livro e aguardam ansiosas a estreia do filme, além claro para quem ainda não conhece a história contada em “Nosso Lar”. Fotos e trailers também estão disponíveis.

Cerca de 15 mil pessoas já estão conectadas nas redes sociais do “Nosso Lar”.

O filme

Ao abrir os olhos, o médico André Luiz sabe que não está mais vivo, embora sinta fome, sede e frio. Ele não pertence mais ao mundo dos encarnados e, ao seu redor, encontra uma planície escura, desértica, tenebrosa, marcada por gritos e seres que vivem à sombra. As dúvidas e as dores intensificam-se. Que destino seria esse?

Baseado no best seller de Chico Xavier, o filme conta a história de André Luiz, um médico bem sucedido que, após sua morte, acorda no mundo espiritual. Lá começa sua nova jornada, de autoconhecimento e transformação, desde os primeiros dias numa dimensão de dor e sofrimento, até ser resgatado e levado para a cidade espiritual Nosso Lar, cidade que dá nome ao filme e que paira nas camadas mais altas da atmosfera terrestre.

Novas lições e conhecimentos estão no caminho deste homem que, enquanto aprende como é a vida em outra dimensão, anseia em voltar à Terra e rever a família. No entanto, ao conseguir ver seus entes queridos, André Luiz percebe a grande verdade: a vida continua para todos.

A direção e roteiro são de Wagner de Assis, produção de Iafa Britz, trilha sonora de Philip Glass e fotografia de Ueli Steiger. O elenco é formado por Renato Prieto como André Luiz, Fernando Alves Pinto, Rosanne Mulholland, Inez Viana, Rodrigo dos Santos, Werner Schünemann, Clemente Viscaíno e ainda participações especiais de Ana Rosa, Othon Bastos e Paulo Goulart.

21/03/2010

TIM BURTON E SUA MÁQUINA DE FAZER SONHOS SE TORNAREM REALIDADE



Em 1984, Paul Reubens estava procurando um diretor. O filme em desenvolvimento foi “Pee-wee's Big Adventure” (1985), e Rubens, que estava trabalhando no projeto perverso de arte conceitual-juvenil por cerca de 15 anos, estava desesperado para encontrar alguém que pudesse confiar para dirigi-lo com estilo.

Assim, como pessoas em Los Angeles fazem, ele pediu ao redor de uma festa. Um dos convidados tinha acabado de ver “Frankenweenie”, de Tim Burton (1984) que fala sobre um cão que é trazido de volta à vida. Burton não tinha nenhuma experiência anterior como um diretor de cinema, mas os dois homens imediatamente gostaram um do outro.

Apenas com 25 anos no momento, Burton conseguiu o emprego, e assistiu o filme estranho, mas imaginativo junto com Reubens e acabou faturando mais de $ 40 milhões nas bilheterias.

Naturalmente, estes dias, Burton não precisa confiar na palavra de alguém para encontrar trabalho. Ao longo dos vários estágios de seus 30 anos por trás da câmera, manteve uma consistente base emocional do seu trabalho atual, um equilíbrio delicado de tristeza, humor e horror, que coincide com o olho para a beleza e surrealismo gótico mítico.

O cineasta de 51 anos escreveu, dirigiu e / ou produziu mais de 20 filmes. Entre 1988e 1996, ele foi responsável por “Beetlejuice” (1988), “Batman” (1989), “Edward Mãos de Tesoura” (1990), Batman Returns (1992), “The Nightmare Before Christmas” (1993), “Ed Wood” (1994) e “Marte Ataca!” (1996).

Também foi durante neste período que ele começou a trabalhar com Johnny Depp, que já atuou em sete de seus filmes - uma relação de transformação, tanto para um como para o outro.

Burton cresceu nos subúrbios da Califórnia, e disse várias vezes que, quando criança, ele achava as realidades da vida quotidiana - pais, professores, escola - muito mais aterrorizantes do que monstros ou filmes. Os personagens de Burton nascem marginais, perpetuamente em desacordo com as suas identidades e em alguns casos são realmente monstros.

Em novembro passado, em Nova York, no Museu of Modern Art(MoMa) Burton foi homenageado não só pelo seu trabalho no cinema, mas também como artista visual, com uma retrospectiva que exibiu uma grande coleção de seus desenhos, incluindo versões de Jack Skellington, Edward Mãos de Tesoura, Sweeney Todd, e Batman .

Seu próximo filme, da Disney, Alice no País das Maravilhas, que sairá no próximo mês, é uma aventura animada com Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter (parceira de Burton), Anne Hathaway, e Crispin Glover. Danny Elfman, que compôs músicas para filmes de Burton desde que trabalharam juntos em Pee-wee (e que também fez Alice in Wonderland) falou com ele recentemente sobre como ele fez o seu caminho como artista e sobre o que realmente o assusta.

Danny Elfman: Ok, estamos prontos. Esteja ciente de que podemos parar e começar, podemos até mesmo refazer uma pergunta se você não gostou do que você disse. Você pode sugerir um tema. Sem pressão.

Tim Burton: Eu digo o fluxo da consciência, e aconteça o que acontecer, acontece.

Elfman: Então vamos começar com algo fácil. Crescer, filmes e diretores, quais desses tiveram o maior impacto em você?
Burton: Bem, sendo um monstruoso grande fã de cinema, os filmes de monstro da Universal e ficções japonesas, como os de Ishir ¯ o Honda. Então havia os italianos, como Mario Bava também.

ELFMAN: Que filme em particular realmente causou uma impressão em você?

Burton: “Bava's Black Sunday” [1960] é provavelmente aquele que fez isso. Lembro-me, em Los Angeles, eu assisti a um fim de semana inteiro de filmes de terror. E depois que você assistia cerca de dois filmes de uma só vez, você ia para este estado de sonho, e por volta de 3 da manhã no fim de semana, vi o Black Sunday. Era realmente como se seu subconsciente estivesse vivendo um sonho, quase alucinante. Eu também acho que eu sou um dos poucos torcedores que realmente gostam de dublagem de filmes estrangeiros. Eu amo Fellini ou Bava dublado porque acrescenta uma natureza surreal. Eu prefiro dublado porque as imagens são tão fortes que não quero ter meus olhos lendo as legendas.

Elfman: Será que algum filme dão pesadelos?

Burton: Eu nunca tenho pesadelos dos filmes. Na verdade, eu me lembro do meu pai dizendo que quando eu tinha três anos que eu ficava com medo, mas nunca fiquei. Eu tinha muito mais medo da minha própria família e da vida real, você sabe? Eu acho que seria mais um pesadelo, se alguém me dissess para ir à escola ou comer o meu almoço. Começava a suar frio sobre essas questões. Eu acho que os filmes provavelmente ajudam a classificar os tipos de coisas e fazer você se sentir mais confortável. Eu me apavorei quando vi “O Exorcista” [1973], pela primeira vez, admito. Imagens como os de Black Sunday ficam com você. Eu sempre gostei muito deles.

ELFMAN: Isso me leva a monstros da nossa infância. Como você acha que eles se comportam frente os monstros de hoje?

Burton: A coisa que eu amo sobre os monstros de antigamente é que eles tinham como uma imagem forte e imediatamente identificável. Eu acho que um monte de monstros de hoje são muito diferentes. É também devido ao peso CGI. Falta o elemento humano como Boris Karloff, que realmente criava os monstros. Mesmo em “Creature From the Black Lagoon” [1954], o cara tinha um traje completo, assim você sentia como se houvesse um ser humano por baixo. Eu penso que é importante. É sempre um desafio interessante para ver se você pode criar um personagem que tem emoção. Isso pode ser feito e que tem sido feito.


Elfman: Eu acho que há uma certa nostalgia do cinema antigo. Alguns desses filmes antigos conseguem esse feito e outros não.

Burton: Existem certos filmes que realmente não. Mas os que você ama realmente, eu acho que eles fazem. Obviamente, o ritmo de filmes ficou muito mais rápido, mas os antigos têm um ritmo mais lento que tece o seu caminho para você. Quando você assiste a filmes antigos, você não pensa tipo: “Nossa, eu queria que este corte fosse mais rápido”.

Elfman: É mais difícil reproduzi-los para os nossos filhos, porque eles esperam um ritmo que não existia então e eles têm que passar por isso.

Burton: É verdade. Mesmo antes de as crianças assistir um filme, eles já estão acostumados a vídeo game e outras coisas. Assim o senso de ritmo mais lento já se foi. É lamentável, porque há algo muito introspectivo sobre filmes que dão a você a chance de sonhar.

ELFMAN: Você costumava a ir em cemitérios quando você era um menor, não é? Digo isso porque nesses lugares são muito pacíficos e calmos.

Burton: As pessoas pensam que é mórbido, mas realmente era muito mais calmo e emocionante. Havia um mistério sobre isso, uma justaposição de vida e morte em um lugar onde ninguém realmente não deveria estar.

Elfman: Alguma vez você acreditou ou meio que acreditou em fantasmas?

Burton: Sim. Eu vi coisas e senti coisas. Acho que a maioria das pessoas também sentem. Eu não vou sair e dizer: "Oh, meu Deus, eu fui seqüestrado por um OVNI", ou "Eu vi esses fantasmas".

Elfman: Você sentiu alguma assombração em cemitérios onde você ía?

Burton: Você sente uma energia. A maioria das pessoas diz isso sobre cemitérios: "Oh, é apenas um monte de gente morta, é assustador." Mas para mim, há uma energia a ele que não é assustador ou escura. Ela tem um sentido positivo. É uma celebração. É muito mais leve. Há humor envolvidos, cor e vida. Nós conversamos sobre isso quando fizemos A Noiva Cadáver [2005].

ELFMAN: Uma vez, um tempo atrás, fomos para um quarto no CTS Studios onde diziam ter um fantasma de uma criança. Você se lembra? Todo mundo no estúdio nos dizia sobre ele, assim que nós fomos lá e ficamos nesta sala escura, assustadora por um tempo. Nada aconteceu, como as coisas normalmente não acontecem. Você já esteve em uma sala onde você poderia ter tido uma experiência?

Burton: Eu estive em alguns quartos do hotel em Veneza.

ELFMAN: Eu quero perguntar-lhe sobre, Vincent Price. Quando eu conheci você, você me disse o quanto um herói ele era para você. Então eu vi o curta de animação que você fez, Vincent [1982], que foi inspirado por ele. O curta foi preparado há muito tempo?

Burton: É, obviamente, baseado no sentimento de assistir filmes dele. Senti-me ligado a ele, e isso me ajudou muito na minha vida. Eu tinha escrito tudo e feito em uma espécie de livro de histórias ou storyboard de moda, e eu apenas decidi enviá-lo para ele. Eu não tinha idéia do que iria acontecer. Era mais provável que ele não iria responder, mas respondeu imediatamente, e ele parecia realmente ter gostado de mim. Isso me fez sentir muito bem. É por isso que foi realmente especial para mim. É difícil conseguir projetos bons, também é difícil de encontrar alguém que você admira. Você nunca sabe o que poderá acontecer. Essa foi a minha primeira experiência neste tipo de mundo e foi realmente positivo. Isso permanece com você para sempre. Quando os tempos são difíceis, tudo que você tem que fazer é lembrar todos esses tipos de momentos, os surreais, momentos especiais.

ELFMAN: Na escola de arte, você teve uma epifania onde você não se importava mais sobre como desenhar a forma como o professor queria que você desenhasse. O que aconteceu exatamente?

Burton: Foi no mercado dos agricultores. Saímos para atrair as pessoas. Eu estava sentado lá, ficando muito frustrado tentando desenhar a forma como eles estavam me dizendo para desenhar. Então, eu só disse: "Que se lixe". Eu realmente me senti como se tivesse tomado uma droga e minha mente de repente expandida. Isso nunca aconteceu comigo de novo, e da mesma maneira. A partir desse momento, eu só desenhei de maneira diferente. Eu não desenhei melhor, eu apenas desenhei de forma diferente. Isso é porque alguém disse que você não deve fazer, mas não significa que você não pode. Ele ensinou-me a ater ao que está dentro de mim, para deixar que florescem da melhor maneira que puder. Eu estive esperando por esse sentimento de voltar, desde então, e que ainda não tenha. Pelo menos aconteceu uma vez. [risos] É, literalmente, aconteceu naquele momento.

ELFMAN: Então, curiosamente, que tornou-se um animador da Disney. É claro que você não se encaixava no molde lá, mas o seu talento não passou despercebido.

Burton: Novamente, é uma daquelas coisas estranhas. Se isso tivesse acontecido em qualquer outro momento da história da empresa, provavelmente eu teria sido demitido. Mas a empresa estava tão sem rumo, em seguida, acabei ficando sob a asa de um grande animador, esse cara Glen Keane. Eu era uma espécie de seu assistente, e ele tentou me ajudar a desenhar raposas e fazer tudo isso, mas foi inútil. Eles perceberam queem vez de despedir-me, deram-me outros projetos porque gostaram de meus desenhos. Isso durou um ano. Fiz filmes como The Nightmare Before Christmas e Vincent.

ELFMAN: Eu não sei se muitos fãs estão cientes da profundidade de sua paixão pelo desenho e arte. Quando eu descrevo como eu comecei a escrever canções para Nightmare, as pessoas se surpreendem que não começo com um script. Em vez disso, você tinha uma história e uma série de desenhos incríveis.



Burton: Isso é porque eu sou muito grato da a mostra no MoMA. Não tem sido sobre categorização como, "Oh, isso é cinema. Isto é arte. Essa fotografia". É tentando mostrar que tudo isso é apenas um processo e que existem maneiras diferentes de abordagem. Acho que ambos, você e eu, detestamos categorização. As pessoas estão sempre tentando mantê-lo em uma caixa e dizer: "Oh, ele está em uma banda de rock. Agora ele é um compositor, mas ele só compõe esse tipo de coisa". A exposição do MoMA mostra que cada abordagem diferente é tudo parte da mesma coisa, uma idéia, se é escrito ou desenhado ou uma peça de música ou o que quiser.


ELFMAN: Agora eu quero te levar para o momento Batman em sua carreira: É apenas o seu terceiro longa, e você ainda é peixe pequeno na indústria. Você não tem um registro comercial. E se bem me lembro, a pressão era enorme. A produção era enorme. O orçamento para a época foi enorme. Como você lidou com isso?

Burton: Ajudou a ser na Inglaterra. Não estava acontecendo muita coisa lá no momento. Você poderia realmente ir e focar no filme e não estar envolvido em todas as fofocas, como "Quem vai interpretar Batman? Oh, eles escolheram [Michael Keaton]", todo esse tipo de comoção, que é apenas um desperdício de tempo. Assim sendo, na Inglaterra foi muito útil. Mesmo que fosse uma coisa de grande orçamento, ainda estava um pouco abaixo do radar.

ELFMAN: Então você tem um pouco de proteção.

Burton: Um pouco. Jack Nicholson era, obviamente, uma grande estrela. Ele era muito protetor de mim. Ele tinha muita influência. Ele era muito favorável.

Elfman: Eu sempre me perguntei se uma parte da razão para passar ao direito Edward Mãos de Tesoura após Batman tinha algo a ver com querer um projeto menor, com menos pressão a ela ligada.

Burton: Eu acho que foi um pouco disso. Mas o mais estranho foi que tentando fazê-lo com baixo orçamento, depois de fazer o Batman, era muito difícil. Todo mundo pensou: "Oh, você fez esse grande filme, assim que este é outro grande filme. Mas não era um grande filme. Eu estava no pântano na Flórida, e as pessoas queriam me cobrar um milhão de dólares para usá-lo porque eu tinha acabado de fazer o Batman. Mas, sim, foi bom voltar para um projeto menor. É só piorou nesta época.

ELFMAN: Certo. Por Mãos de Tesoura, tinha muita fé em Johnny [Depp] desde o início. Ele realmente só tinha um programa de TV [Jump Street]. Pelo que me lembro, você estava sob alguma pressão para lançar alguém. Como você foi capaz de encontrar a fé para ver algo além do que Johnny já havia mostrado em seu trabalho em televisão?

Burton: Foi exatamente por esse motivo. Ao encontrá-lo, você percebe que não há
esta percepção dele como um ídolo teen, mas ele não é realmente essa pessoa. Isso é apenas como ele era percebido pela sociedade e, portanto, quem ele era. E é exatamente como Edward: "Eu não sou o que as pessoas pensam que eu sou. Eu sou outra coisa".

ELFMAN: Você achou tudo isso só ao encontrá-lo?

Burton: Sim, absolutamente. Essa é a coisa. Eu poderia dizer que ele entendeu. Você sempre pode se sentir se alguém entende a dinâmica. Há uma certa dor também. Ele tem muito mais profundidade, muito mais emoção. Há uma certa tristeza quando isso acontece com as pessoas. Assim é muito fácil de identificar, mesmo sem realmente falar muito sobre ele.

ELFMAN: Você é conhecido por seu trabalho em sets incríveis e composição de fotos com poucos efeitos possíveis, talvez com a exceção de Marte Ataca!, E mesmo que você tivesse cenários e atores e marcianos animados que foram realizadas muito rapidamente. Agora estamos prestes a ver Alice in Wonderland, que é um animal totalmente diferente. Como tem sido trabalhar no que gosta?

Burton: É completamente o oposto da maneira como eu costumo fazer um filme. Normalmente, a primeira coisa que eu sei é a vibração e a sensação de uma cena. É a primeira coisa que você vê. Agora é a última coisa que você vê. É como se realmente estivesse em Alice no País das Maravilhas. É completamente doido. Está tudo na sua cabeça, e isso pode ser inquietante. Eu achei muito difícil porque você não vê uma projeção até o fim do processo. Mesmo quando estávamos fazendo Nightmare ou A Noiva Cadáver, você tinha um par de fotos e assim sentia qual era a vibe.

ELFMAN: Nós vamos terminar com um pouco de associação livre aqui.

Burton: Uh-oh. Sempre um mau sinal.

ELFMAN: [risos] Ok. Animais. Como é que os animais desempenham em sua percepção da realidade?

Burton: Bem, eu tive um cão, um casal de cães.

ELFMAN: Talvez um guaxinim, também.

Burton: E um guaxinim. Dois cães e um guaxinim podem muito provavelmente ser o seu coração e alma. Eu acho que é muito triste, mas pode ser o mais forte laço emocional que você tem. Há uma pureza nesse amor. É muito bom lembrar, agarrar e aspirar, no lado humano. Pelo menos isso mostra que é possível.

Elfman: Doidos.

Burton: Nós fomos chamados disso antes. [risos] Quando ouço essa palavra, eu ouço: "Alguém que eu provavelmente gostaria de conhecer e se dar bem com ele".
Elfman: O bem e o mal.

Burton: Difícil dizer, às vezes. Essa é a coisa. Especialmente quando você está fazendo um filme, você experimentar o bem e o mal cerca de 20 a 100 vezes por dia. Você não sabe onde é completamente certo, onde uma cruza para o outro lado. É uma pista muito escorregadia.

Elfman: O seu senso de realidade mudou, agora que você tem filhos?

BURTON: Obviamente, você fica mais fundamentado, mas ao mesmo tempo, torna-se mais surreal. E é bom para reconectar a esses sentimentos abstratos. É bom como um artista de sempre lembrar-se de ver as coisas de uma maneira nova e estranha. É como a poesia, as crianças sabem como perceber as coisas. É muito bonito, às vezes.

ELFMAN: Última pergunta. Você não tem que responder-me isto, é apenas uma questão pessoal. Eu sempre me perguntei, mas eu realmente nunca lhe perguntei: Por que você me contratou para fazer “Pee-wee's Big Adventure”? Porque não faz qualquer sentido, até para mim.

Burton: [risos] Nós nunca conversamos sobre isso, não é? É muito simples para mim. Eu costumava ir para ver a sua banda tocar em lugares como Madame Wong.

Elfman: Mas isso é tão diferente.

BURTON: Não era para mim. Eu sempre pensei que você servia para fazer filmes de alguma forma. Eu nem sei o que isso significa! Houve um impulso forte na hora para o que estava fazendo. E era teatral. Também, porque eu não tinha feito um longa-metragem ainda, eu só respondi ao seu trabalho. Foi muito bom estar conectado com alguém que eu sentia tinha feito muito mais do que eu tinha naquele momento.

ELFMAN: Bem, Johnny e eu lhe devo uma.

Burton: Está tudo ótimo. Como eu disse, o que é bom é que eu te conheço mais do que ninguém. Há algo muito emocionante quando você tem uma história com alguém e você o vê fazendo coisas novas e diferentes. Temos o nosso próximo desafio que nos está proposto, que é de certeza. Mas vamos ter que assistir, e ver se você deseja sair.

Crédito da foto: Tim Burton, em Nova Iorque, Julho de 2009.

Danny Elfman é um cantor, compositor e um indicado ao Oscar compositor. Ele marcou a música para filmes como Batman, Milk e próximo filme de Tim Burton Alice no País das Maravilhas.

Estefano Diaz
redação@salvadorupdate.com
estefanodiaz@salvadorupdate.com

Jardim das Folhas Sagradas, cultura baiana mostrada em película



Intriga política, romance, magia, mistério e drama.

Jardim das Folhas Sagradas conta a história de Bonfim, filho de uma yalorixá, negro baiano que tem sua vida virada pelo avesso com a revelação de que precisa abrir um terreiro de candomblé. Com os espaços disponíveis cada vez mais raros, ele acaba procurando um lugar na periferia empobrecida e degradada. Afastado da tradição e questionando fundamentos como o sacrifício de animais, Bonfim cria um terreiro modernizado e descaracterizado, o que lhe trará graves conseqüências.

Numa época em que o crescimento urbano acelerado e a favelização transformam as cidades em espaços cada vez menos habitáveis, o candomblé, religião ancestral trazida pelos escravos africanos, tem uma grande lição de convívio e preservação da natureza a oferecer. A Bonfim e a toda cidade de Salvador.

Afastado das tradições da religião, Bonfim questiona fundamentos como o sacrifîcio, e sofre as consequências destes enfrentamentos. Um filme que fala de obediência, amor, desprezo, amizade e traição.

Conheça os atores:



Antônio Godí é
Miguel Bonfim
Bancário, 40 anos. Bonfim é filho de mãe de santo negra e pai de santo branco. Criado pela mãe na tradição do candomblé, estudou e pôde ascender socialmente. Aos 40 anos tem uma promissora carreira no banco. Casado com Ângela, mantém um caso com Castro. Instigado pelo pai, que ocupou o lugar da mãe após sua morte, consulta os búzios e é avisado que tem que assumir seu papel de sacerdote de Ossain, o orixá das folhas, e que não cumprir pode lhe trazer graves conseqüências.

Bonfim é de Ossain e Oxossi. Ossain é um orixá muito misterioso. Dos filhos deste orixá diz-se que são muito volúveis, com o temperamento da folha ao vento. E quem lhe revela as notícias do mundo é o pássaro Eyé.
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Harildo Deda é Martiniano

Branco, 70 anos, solteiro e sem filhos. Há quase 50 anos totalmente devotado às coisas do candomblé. Padrinho de Bonfim, muito respeitado na comunidade e na religião, apesar de não possuir a “mão de Ifá” e o poder da vidência. Ferreiro de santo. Seus orixás: Xangô e Ogum. Ensina iorubá às pessoas do terreiro.



Evelin Buchegger é Ângela

Mulher de Bonfim. Bonita, nascida no interior de Goiás, sem familiares em Salvador, para onde veio, trazida por uma empresa goiana. A empresa faliu e Angela ficou e casou com Bonfim. Sem trabalho e sem procurar estudar, foi se isolando e tornou-se presa fácil dos pregadores evangélicos.



João Miguel é Castro

Jovem branco com quem Bonfim se relaciona amorosamente. Ex-bancário, morre em acidente de automóvel, que estava sendo dirigido por Bonfim. Ecologista e naturalista.



Aurístela Sá é Cora

Arquiteta, amiga e namorada de Bonfim, tem grande participação na instalação do terreiro. Participa de movimentos e atividades ligados à ecologia Dengosa, vaidosa, faceira e sensual, gosta de panos vistosos, braceletes. Cora é de Oxum.



Sérgio Guedes é Jairo

58 anos, professor universitário, Doutor em Antropologia, casado com Eugênia. Foi preso pela ditadura militar em 68.
Filho de santo graduado. Jairo é de Oxalá, Oxalufã.
Sua condição de professor, sempre o aproximou de Bonfim e juntos construíram uma forte amizade.



Érico Brás é Bará

Jornalista. Seu santo é Exú, é ele quem precipita as ações. Dinâmico, moleque, anarquista, bagunceiro, sutil, astuto e provocador. Prepara armadilhas, cria mal entendidos e discussões. Arma confusões e atrapalhações. Viabiliza pedidos e desejos, fatos e situações. Não faz o mal, apenas remexe nele.

Falta pouco para definição de data para lançamento do filme e programação nas cidades. A estreia será, provavelmente, no final de julho de 2010.



Assessoria de Comunicação Jardim das Folhas Sagradas
Estefano Diaz – jornalista
Redação@salvadorupdate.com
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